sexta-feira, 22 de maio de 2015

Vale a pena fazer IPO

 

Bill: você viu, War? A Bolsa japonesa bateu recorde de 15 anos! 

 

Warren: o Japão deve estar voando...

 

B:  Kkkk. Lancei meus Xbox One por lá e vendi 25 mil unidades no país inteiro no primeiro mês...

 

W: Nossa, só no meu Wal Mart de Omaha devo ter vendido mais do que isso...

 

 

B: Vai lá, War. Pega o seu NetJet e vai comprar umas barganhas na Ásia. Tá cheio de value investing por lá...

 
 

 

W+B: Hahahuhauhahaha!

 

 

Você sabia?

 

Que dos seis bancos com maior valor de mercado do mundo, quatro são chineses?

 

Que, apesar disso, na China há cerca de US$ 1,3 trilhão em empréstimos a partir de fontes informais, fora do sistema financeiro regulado? 

 

E que, segundo o JP Morgan, o crédito informal foi representativo a 69% do PIB chinês em 2012?

 

Bom, Jim Chanos, um dos maiores shorters do mundo, já fala na China sendo a próxima Grécia, com 400% de dívida total sobre PIB. Seria o Chinext? Ou Chinexit? Aguardemos o próximo acrônimo.

 

Quanto vale uma tesoura?

 

Abrindo bem a lista dos maiores bancos por valor de mercado do mundo, chegamos, antes do top 50 (não menos do que isso), aos brasileiros Itaú Unibanco e Bradesco. 

 

Somando o valor de mercado da dupla brasileira, temos o equivalente a US$ 109 bilhões nos preços correntes. 

 

É mais do que a AmBev (US$ 96 bi), muito mais do que a Petrobras (US$ 59 bi) ou qualquer outra companhia tupiniquim. 

 

Mas poderia ser muito mais, fosse uma semana atrás. O aumento da CSLL dos bancos de 15% para 20% e a ameaça de taxação dos juros sobre capital próprio impõe destruição de quase 10% no valor de mercado da dupla em apenas uma semana. 

 

Uma canetada (tesourada) do Levy não vale coisa pouca.

 
 

 Que rufem os tambores!

 

Falando em bancos... segundo pessoas envolvidas na operação, a Caixa pretende captar R$ 10 bilhões com a venda de 30% de seu braço de Seguridade, num IPO que deve ser agendado para outubro. 

 

Até lá, vamos esquentando os tamborins e sentindo o clima com ofertas menores e correlatas - como, por exemplo, a da PAR Corretora.

 

A PAR é a corretora da Caixa Seguradora, com um canal de distribuição de 3.400 agências, além das lotéricas e dos correspondentes bancários. Trata-se de um negócio que combina escala e margens altas, e tem mostrado forte crescimento (CAGR de +26,3% de 2011 a 2014).

  

 

Enquanto isso, aos poucos os bancos estatais vão se desmembrando (privatizando). 

 

O governo precisa de dinheiro. 

O mercado de novas opções na prateleira. 

E os bancos estatais de uma estrutura competitiva mais eficiente e transparente. 

 

E todos viverão felizes para sempre?

 

Quase todos.

 

 Jurisprudência?

 

Coluna do Geraldo Samor na Veja.com chama atenção para uma questão importante: a “barriga de aluguel” da Gerdau. 

 

Metalúrgica Gerdau (GOAU) controla a Gerdau S.A. (GGBR). Ambas têm ações listadas. Mas para não ferir os requisitos de mínimo de free float (ações em circulação) na Bolsa, parte das ações que a GOAU tem de GGBR foram, digamos, “emprestadas” para o banco BTG Pactual, por meio do famoso swap, que funciona como uma recompra disfarçada normalmente.

 

O BTG Pactual carrega essas ações em seu balanço e, em troca, recebe uma remuneração igual ao CDI + 1% ao ano por um período de três anos. Mas a GOAU continua exposta à variação de preço nas GGBR.

 

Ou seja, é um acordo para inglês (ou BM&F Bovespa/CVM) ver. Parece um tanto claro que as ações são, filosoficamente, da Metalúrgica Gerdau, embora fiquem no balanço do banco. 

 

Diante disso, fundos de investimento minoritários na siderúrgica enviaram uma reclamação à empresa, copiando a CVM, que ainda não se manifestou...

 

Se a CVM decidir em favor dos minoritários, Metalúrgica Gerdau poderia ser obrigada a lançar uma oferta para comprar todas as GGBR em circulação, oferta que chegaria perto de R$ 1 bilhão. 

 

Interessante que outra companhia listada, a JHSF (JHSF3), possui um free float de 25%, justamente o mínimo necessário. E parte disso (até R$ 50 milhões), está amarrado a acordo de swap nos mesmos moldes, com o Itaú. 

 

A questão é importante para Gerdau, mas cria jurisprudência para vários outros casos.

 

Bancos: Péssima notícia


O governo aumentou o imposto sobre a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) do setor bancário de 15% para 20%. A medida foi oficializada nesta manhã pelo Diário Oficial da União e faria parte de um pacote mais amplo de ajuste fiscal que poderá ser anunciado ainda hoje segundo fontes dentro do governo.
Agenda do investidor para esta sexta-feira
IPCA-15 (IBGE): identifica as variações nos gastos das famílias que ganham de um a quarenta salários mínimos nas principais regiões metropolitanas brasileiras. Consumer Price Index: índice de preços ao consumidor norte-americano.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

O homem está impossível




O índice IBC-Br marcou retração de 1,07% em março. A expectativa, que já não era boa, apontava queda bem menos expressiva, na casa de 0,5%.

 

Observe: as expectativas de consenso têm sido recorrentemente frustradas. O que isso quer dizer?

 

Que o mercado, meses atrás taxado de “terrorista” e “pessimista”, na verdade, tem se provado um grande otimista.

 

E que as projeções atuais, de encolhimento de 1,2% do PIB este ano, precisam ser revisadas para baixo. 

 

Mesmo sem apagão (vimos ontem que a queda do consumo com a desaceleração econômica está resolvendo esse problema), mantemos projeções de queda próxima de 2%.

 

A projeção do governo, recentemente revisada, é de queda de 0,9% da economia neste ano. Se bem que o IBC-Br não deve afetar essa...

 

Para o governo, o indicador só tem sido parâmetro para o PIB quando sobe.

 


que não possa piorar

 

A deterioração econômica não está só. 

 

O mercado tem errado consistentemente em outra conta: do ajuste fiscal. 

 

A questão com Levy não é pessoal e tampouco profissional. A questão não é (nunca foi) com Levy...

 

Seduzido pela retórica, as levyzetes colocaram tudo nos preços... 

 

Agora, preocupado com as derrotas do Governo no Congresso, com votações adiadas para desoneração da folha e recrudescimento das regras para acesso a auxílio-desemprego, correm para tirar.  

 

 O homem está impossível 

 

Sem o ajuste à sua maneira, Levy procura outras...

 

Se não consegue fazer o ajuste via redução de despesas, vai na base de aumento da arrecadação. 

 

Depois da intenção de tributação sobre os dividendos e as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs), e do interesse manifesto de tributação sobre dividendos, a Fazenda defende duas propostas: (i) a extinção do benefício fiscal sobre juros sobre capital próprio (JCP), e (ii) a elevação da CSLL dos bancos de 15% para 17%, ou até mesmo 20%.

 

Ele ataca por todos os flancos... Não vai faltar incerteza e (des)estímulo para o investimento.

 

Daqui a pouco, vamos torcer para que esse downgrade do rating venha logo. 

 

Aí, quem sabe, o homem sossegue.

 

Desta vez é diferente?

 

As ações da Petrobras se recuperam dos tombos consecutivos, liderando as altas do Ibovespa no momento que escrevo.

 

Os investidores aparentemente ignoram o fato de que a CVM abriu investigação que pode culminar na necessidade de Petro ter de republicar seus balanços de primeiro trimestre, caso comprovada a suspeita de que lançou no primeiro tri contas posteriores a março (!!!).

 

Segundo matéria da Folha de S. Paulo, a companhia incluirá em seu Plano de Negócios, que será divulgado em junho, um compromisso de que a política de importações seguirá preços de mercado. 

 

Mas, segundo a própria matéria, não terá nenhuma fórmula ou metodologia de reajuste...

 

Déjà vu?

 

 
 

 

O que leva a crer que desta esta vez será diferente, e o governo vai abrir mão de do preço do combustível e (por conseguinte) de controlar o seu impacto sobre os índices de inflação?

 

 

Uma solução para Petrobras

 

O diretor financeiro da companhia, Ivan Monteiro, afirmou na última segunda-feira que, sim, desta vez é diferente e a companhia tem plena “liberdade” para praticar preços de mercado.

 

Bom, se ela tem liberdade, só não entendo por que não está fazendo...

 

A companhia nunca precisou tanto de dinheiro, mas prefere, deliberadamente, operar com defasagem superior a 5% em sua política de importações, contando preço do óleo e câmbio atual?

 

Sugestão: se o governo quer cobrar da estatal R$ 20 bilhões de diferença do preço do barril da cessão onerosa para ajudar no ajuste fiscal, e agora a empresa está livre da ingerência política, por que a Petrobras não cobra do governo os mais de R$ 55 bilhões de prejuízo que acumula desde 2009 com sua política de importações de combustíveis pró-índices de inflação?