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segunda-feira, 28 de julho de 2014

Reestruturação de dívidas cresce com economia lenta

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Leonardo Rodrigues/Valor / Leonardo Rodrigues/Valor
Daniel Wainstein, da americana Greenhill: algumas companhias brasileiras "entraram em endividamento caro"
A economia em ritmo lento e a falta de perspectivas de uma melhora significativa em 2015 têm aumentado a procura pelos serviços de reestruturação de dívidas prestados por butiques financeiras e bancos de investimentos. O movimento é encabeçado por empresas que se alavancaram nos últimos anos contando com projeções de mercado que não se concretizaram. Em muitos casos, são companhias que tiveram alta de custos e sentiram o baque da redução nas vendas.
"Há dois anos, não tínhamos clientes com esse objetivo. Agora, temos visto demanda de empresas procurando alongar dívidas e melhorar a estrutura de capital", afirma Marina Corrêa Lemos, responsável pela área de finanças corporativas na Capitânia Investimentos.
Esse também é o caso da butique financeira Greenhill, dos Estados Unidos, que abriu as portas no Brasil no ano passado. Embora o foco seja prestar assessoria a processos de fusões e aquisições, um dos mandatos conquistados por ela até agora é de uma empresa com necessidade de reestruturação. "As companhias brasileiras apostam na volta do mercado de capitais há um tempo. Algumas trouxeram investimentos de private equity, mas outras entraram em endividamento caro", afirma o presidente da Greenhill no Brasil, Daniel Wainstein.
A má notícia para as empresas é que a situação tende a piorar. "No segundo semestre, vai ter muita gente com aperto", estima Renato Carvalho, sócio da consultoria Íntegra Associados, especializada em reestruturação corporativa e que já atuou em casos de companhias como Parmalat, Daslu e Grupo Coimex. Carvalho afirma que o número de consultas começou a aumentar há cerca de quatro meses e tende a subir com o fim da Copa do Mundo e do período de férias. Segundo ele, a Íntegra está trabalhando em um processo e tem outros em negociação.
Para capturar uma parcela desse mercado, que cresce em momentos de atividade mais fraca, os bancos de investimento Brasil Plural e BR Partners estão montando equipes com foco em serviços de reestruturação.
Em entrevista recente ao Valor, o presidente do Brasil Plural, Rodolfo Riechert, disse que a menor oferta de crédito nos bancos abre oportunidades. A instituição planeja atuar em duas frentes. De um lado, prestando assessoria a empresas em dificuldades. De outro, montou um fundo que vai investir em ativos considerados "podres".
Na BR Partners, está prevista a contratação de três pessoas para atuar em reestruturação de dívida. O banco também tem apostado em estruturas como Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e fundos de recebíveis (FIDCs) para oferecer aos clientes em meio a uma oferta de crédito menor.
Não há dados disponíveis sobre o mercado de assessoria a processos de reestruturação porque esse tipo de trabalho costuma ser sigiloso. Porém, o advogado Marcelo Ricupero, do Mattos Filho, diz que o número atual de casos é o maior da história do escritório. "É inegável que há uma demanda muito maior de empresas em situação de pré-insolvência ou insolvência por processos de reestruturação em geral", afirma.
Segundo Ricupero, isso se deve, em parte, à existência de mais recursos hoje - como a lei de recuperação de empresas - do que em outros momentos de baixa atividade econômica no Brasil. "As companhias sabem que estar em dificuldade não significa a morte", observa.
Ter à disposição o instrumento da recuperação judicial não significa, entretanto, que as companhias recorram a ele. Especialmente empresas de grande porte, mais profissionalizadas, têm recorrido a serviços de assessoria financeira justamente para evitar um processo na Justiça - que tende a ser demorado e pouco flexível.
Segundo dados da Serasa Experian, 414 empresas pediram recuperação judicial entre janeiro e junho deste ano, o que representa queda de 10% na comparação com igual período de 2013. A recuperação judicial tem sido usada com mais frequência por empresas de menor porte ou cujas dívidas não sejam garantidas por cessão fiduciária.
No caso das grandes, é um recurso para casos extremos, como os da petroleira OGX e do estaleiro OSX, em que houve estrangulamento de caixa e boa parte dos credores são detentores de bônus. As companhias de Eike Batista foram inicialmente assessoradas pelo BTG Pactual. Num segundo momento, as negociações foram assumidas pela Angra Partners, especializada em reestruturação de empresas.
Em grande medida, correr fora da raia judicial é possível porque os empréstimos bancários ainda são a esmagadora maioria do financiamento a empresas no Brasil. Representaram 81% do volume total no ano passado, segundo levantamento da Greenhill.
Não raramente, os próprios bancos preferem alongar prazos e renegociar as operações a empurrar a empresa para um processo de recuperação judicial, diz fonte de uma instituição financeira. Quando o caso vai parar na Justiça, os pagamentos são suspensos por seis meses e o banco tem de provisionar o crédito em seu balanço, acrescenta esse interlocutor.
A Lupatech, fabricante de equipamentos para o setor de petróleo, é um exemplo disso. A empresa e seus credores optaram por um processo de recuperação extrajudicial, que envolve um acordo formal mas sem a intermediação da Justiça. A estratégia da companhia é ceder seu controle acionário mediante a conversão de cerca de R$ 1,1 bilhão em dívidas, conforme plano apresentado no fim de novembro. Para representá-los, os credores contrataram a assessoria da butique americana BroadSpan Capital.
Outra companhia que tem sido bem-sucedida em seu processo de reestruturação financeira sem recorrer a uma recuperação judicial é a Marfrig. No ano passado, o frigorífico colocou em marcha um plano - que inclui venda de ativos e pré-pagamento de dívidas mais caras - para reduzir a alavancagem. Nesse processo, foi assessorada pelo Goldman Sachs, que não retornou os pedidos de entrevista.

De carteira cheia, estaleiros vivem período de incerteza


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Os estaleiros brasileiros têm hoje uma das maiores carteiras do mundo em encomendas. São US$ 100 bilhões em pedidos da Petrobras, para entrega até 2020. Há ainda a perspectiva de novas encomendas de plataformas e barcos de apoio para o campo de Libra e para novas áreas da cessão onerosa no pré-sal. Houve forte expansão da mão de obra contratada no setor: de 12.651 empregados em 2004, o número passou para 78.136 em 2013.
Apesar dessa condição confortável, os estaleiros criados nos últimos anos para atender a Petrobras passam por momento de incertezas. O cenário é marcado por atrasos, transferência de serviços para China e Japão e dúvidas sobre a efetiva colocação de novas encomendas. Empresas como o Estaleiro Atlântico Sul, de Pernambuco; Enseada, da Bahia; e Rio Grande, do Rio Grande do Sul, trabalham para melhorar a gestão e aumentar os índices de produtividade, inferiores aos dos concorrentes asiáticos. Juntos, os três estaleiros investiram R$ 6,6 bilhões para criar parques industriais modernos. Mas enfrentam o desafio de melhorar a administração e a operação ao mesmo tempo em que correm para fazer suas entregas.

Os grandes estaleiros, que atraíram parceiros estrangeiros, buscam melhorar a performance da mão de obra pouco experiente, ganhar produtividade e consolidar o domínio tecnológico. "Em algum momento as políticas de incentivo tenderão a ser reduzidas e a indústria terá que estar pronta para ser exposta ao mercado", diz Carlos Campos Neto, pesquisador do Ipea.Está em jogo a sobrevivência de longo prazo e em condições competitivas da construção naval brasileira, cuja atividade foi retomada no início dos anos 2000 com a política industrial do então presidente Lula. A Petrobras passou a fazer encomendas de plataformas e de navios no mercado doméstico, seguindo regras de conteúdo nacional na construção desses equipamentos.

A Petrobras afirmou que vai assegurar as encomendas futuras. Mais 14 novas plataformas serão contratadas junto a estaleiros nacionais. Segundo a estatal, "no horizonte 2020-2030, a previsão é de contratação de mais 41 plataformas". Para a Petrobras, é "um diferencial possuir uma indústria fornecedora capacitada e competitiva próxima às suas operações".



Agenda do investidor para esta segunda-feira

Agenda do investidor para esta segunda-feira
Relatório Focus (Banco Central): Relatório semanal com as projeções econômicas do mercado com base em consulta a aproximadamente cem instituições financeiras. Pending Home Sales Index: vendas pendentes de imóveis nos EUA.
Hypermarcas: Lucro explode em 500%
O lucro líquido da HYPERMARCAS (HYPE3) registrou alta de 532,7% no segundo trimestre de 2014, para R$ 122,2 milhões, principalmente pela melhoria do resultado financeiro no período. A companhia continua com seu programa de reestruturação e simplificação de sua plataforma operacional, iniciado em 2011, buscando crescimento orgânico, rentável e sustentável.