TITULOS DA DIVIDA EXTERNA

 

O que são títulos da dívida externa?

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O Brasil sempre recorreu a ajudas externas para equilibrar suas contas. Para isso, o governo emite títulos que podem ser comprados por bancos estrangeiros, governos de outros países e instituições financeiras internacionais.

É importante salientar que a dívida externa brasileira não é composta apenas por títulos do Governo Federal, como muitos imaginam.

Trata-se do total de débitos do país originados de empréstimos no exterior.

Ou seja, a dívida externa é tudo que um país (incluindo governos Federal, Estaduais, Municipais e empresas privadas) deve em caráter internacional.

De acordo com o Banco Central, o Tesouro emite regularmente títulos Globais (conhecidos como “Global Bonds”), normalmente em dólares.

Também há emissão em reais, euros e outras moedas, embora os títulos em dólares sejam a maioria e compostos por papéis mais longos.

As captações do Tesouro no mercado externo e os títulos emitidos têm as seguintes características:

  • Atribuição da taxa de juros na emissão
  • Definição de um cupom de juros na primeira emissão (depois, é mantido constante nas reaberturas do papel)
  • Pagamento do valor principal no vencimento do título.

Além desses títulos emitidos regularmente, circulam ainda os A-Bond, papéis emitidos em operação de troca com o C-Bond, em 2005, com atribuições semelhantes ao título original.

A seguir, vamos entender como funcionam esses títulos e, depois, como você pode começar a investir de forma fácil na dívida externa brasileira.

Como investir em fundos da dívida externa

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A maneira mais fácil de investir na dívida externa brasileira é através de fundos de dívida externa, também conhecidos como fundos de investimento no exterior. Eles não são tão famosos, mas possuem características que podem ser bem interessantes.

Na prática, podem comprar títulos representativos da dívida externa de responsabilidade da União.

O principal fator a levar em conta ao considerar essa opção é que sua rentabilidade será afetada pelas variações da moeda, e a percepção de risco do Brasil no exterior também pode influenciar nos rendimentos.

Esse tipo de fundo precisa aplicar, pelo menos, 80% de seu patrimônio líquido em títulos da dívida externa brasileira emitidos pelo Governo Federal.

Já os 20% restantes podem ser destinados a outros títulos de renda fixa transacionados no mercado internacional.

É importante destacar que esses 20% restantes podem ser aplicados não apenas em títulos de empresas brasileiras no exterior, mas também em papéis de outros países.

É permitido o uso de derivativos, inclusive do Brasil, para realizar a proteção da carteira de investimentos (hedge), mas não para alavancagem.

Para o pequeno investidor, esse tipo de fundo de investimento é um meio prático e de custo reduzido para aplicar em títulos do governo brasileiro no exterior.

O maior risco ao aplicar nesse tipo de fundo é o de moratória, ou seja, o Brasil deixar de pagar suas contas.

Considerando apenas esse critério, pode-se dizer que se trata de um fundo de baixo risco, já que não é provável que isso aconteça.

Mas há outros riscos, como a deterioração da percepção do risco do país, que resultaria em queda de títulos e diminuição do valor das cotas, já que eles têm marcação à mercado.

rentabilidade dos fundos de dívida externa é resultado da confluência de três fatores principais: juros pagos pelos títulos, o desempenho desses títulos no exterior e a taxa de câmbio entre a moeda estrangeira e o real.

Normalmente, os títulos pagam juros semestralmente, o que afeta a rentabilidade oferecida ao cotista.

Ao colocar seus recursos em um fundo como esse, é interessante lembrar que melhoras ou pioras da percepção do risco do país influenciam diretamente no rendimento, já que há uma valorização ou desvalorização dos papéis e, consequentemente, do valor das cotas.

Além disso, é preciso considerar a conversão da moeda estrangeira em reais. Uma valorização do real na comparação com dólar ou euro reduz o rendimento calculado na moeda brasileira.

E para investir em fundos como esse, não é necessária uma quantia muito grande. Há bancos e corretoras que cobram um investimento inicial pequeno, como R$ 3.000,00 ou R$ 5.000,00.

Rentabilidade

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É importante considerar, nesse quesito, que a rentabilidade pode ser prejudicada pela variação da moeda e pela mudança de percepção de risco do país.

Além disso, o rendimento final deve considerar um elemento dos fundos de investimento, que é o come-cotas, uma antecipação do recolhimento do Imposto de Renda sobre a qual falaremos a seguir.

Riscos

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Em renda fixa, os riscos são relacionados principalmente ao mercado e ao crédito. Nos papéis da dívida externa, há o risco de o Brasil dar uma moratória e não pagar suas dívidas.

Enquanto isso, os riscos de mercado são aqueles que envolvem uma deterioração da percepção de risco Brasil, que resultaria em uma desvalorização dos papéis da dívida brasileira e, consequentemente, do valor de suas cotas.

Mas é importante salientar que, nesse tipo de fundo, uma deterioração do risco Brasil significa, normalmente, uma valorização do dólar, o que acaba equilibrando a rentabilidade do investimento.

História da dívida externa no Brasil

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A história da dívida externa do Brasil começa lá em 1824. Ou seja, não é de hoje que o país vê no exterior a salvação para contas em frangalhos.

Mas essa dívida está em uma situação bem melhor do que já esteve.

A última vez que o país teve que recorrer ao FMI (Fundo Monetário Internacional) foi em 2002.

Em 2008, o Brasil se tornou, inclusive, credor externo.

A seguir, confira um breve histórico da dívida externa do Brasil, apurado pelo Jornal O Globo e adaptado pelo blog:

1824: O Imperador Pedro I pede empréstimo externo para cobrir dívidas da colônia. Aqui começa a dívida externa.

1829: Cinco anos depois, ocorre a primeira renegociação da dívida externa, chamada de empréstimo ruinoso, para arcar com débitos vencidos.

1858: Da declaração de independência ao fim da monarquia, o país toma 17 empréstimos diferentes em bancos ingleses, para pagar por débitos antigos.

1864-70: Esse período, que envolve a Guerra do Paraguai, resulta em muitos gastos e dívidas para o Brasil. Nesse caso, a Inglaterra fornece os navios e dinheiro para financiar o esforço bélico brasileiro.

1898: No governo de Campos Sales, ocorre a primeira renegociação da dívida da República, que compila em um único crédito todos os empréstimos.

1931: Neste ano, ocorre a primeira moratória do Brasil, que é anunciada na capa do jornal “New York Times”.

1937: O Estado Novo de Getúlio Vargas determina a suspensão do pagamento de todos os empréstimos por três anos.

1959: O presidente Juscelino Kubitschek rompe relações com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e se exclui do circuito financeiro mundial. O FMI apregoava que o Brasil deveria cuidar de seus gastos para frear a inflação da época.

1973 a 1980: O governo sustenta o chamado “milagre econômico” pegando muitos empréstimos. Depois da crise do petróleo, a dívida externa se eleva enormemente para arcar com o rombo na balança comercial. Nessa época, o país importava 85% do petróleo consumido aqui.

1983: As reservas negativas levam o governo a pagar apenas os juros, e não mais o montante principal de sua dívida externa.

1984 a 85: Nesses anos, o país assina diversos acordos com o FMI, mas não cumpre as metas fixadas

1987: O governo de José Sarney interrompe o pagamento dos juros da dívida, mantendo apenas a parte principal (US$ 2 bilhões).

1998: Com déficit comercial, problemas nas contas públicas e crise da Ásia, o Brasil recorre novamente ao FMI.

2002: Esta é a última vez que o país recorre ao FMI. Com o dólar se elevando fortemente, o país é obrigado a solicitar ajuda financeira de US$ 15,5 bilhões

2005: O Brasil paga o empréstimo de US$ 15,5 bilhões, que venceria em 2006 e 2007, de forma antecipada e, com isso, economiza US$ 900 milhões em juros.

2006: O Brasil faz o resgate de US$ 20 bilhões em títulos da dívida externa.

2008: Pela primeira vez, Brasil passa a ser credor externo, isto é, as reservas internacionais ultrapassam o total da dívida externa.

2017: Em maio, a dívida externa brasileira soma 331,41 bilhões de dólares, segundo estimativa apresentada pelo Banco Central

Situação atual da dívida externa

Em relatório divulgado em junho de 2017, o Banco Central divulgou estimativa de que a dívida externa brasileira somou, em maio, 331,41 bilhões de dólares.

O valor apresentado é menor do que os 334,60 bilhões de dólares em março e os 334,63 bilhões de dólares de dezembro de 2015.

Conforme dados do Banco Central, a dívida externa de longo prazo foi de 270,90 bilhões de dólares em maio, enquanto os débitos de curto prazo ficaram em 60,51 bilhões de dólares.

Conforme a instituição, a redução da dívida externa de curto prazo se deve a amortizações de empréstimos por setores financeiro e não financeiro. Seu saldo ficou, respectivamente, em 529 milhões de dólares e 346 milhões de dólares.

Em maio, o Banco Central anunciou também reservas internacionais que chegavam a 376,49 bilhões de dólares, um patamar confortável para enfrentar turbulências do mercado e garantir o pagamento de sua dívida.

Esse é um dado importante para quem se preocupa com o risco de moratória do governo. Ele não deve ser desconsiderado, mas sua probabilidade se reduz muito com um colchão espesso de reservas internacionais.

Conclusão

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Como vimos, os fundos de dívida externa podem ser opções interessantes para quem busca boa rentabilidade, diversificação do portfólio, exposição a moedas estrangeiras e ao risco Brasil. No entanto, fique muito atento ao risco desses produtos para verificar se esses estão aderentes ao seu perfil de investidor.

Veja um resumo do que aprendemos neste post:

  • A dívida externa brasileira começou em 1824
  • O Brasil já teve problemas, em diferentes momentos de sua história, para pagar suas contas externas
  • Os fundos de dívida externa são a melhor opção para quem busca o investimento nos títulos da dívida externa brasileira
  • Sua rentabilidade é comprometida pelo Come-Cotas, a antecipação do Imposto de Renda que ocorre a cada seis meses
  • As taxas de administração desse tipo de fundo costumam ser altas e também atrapalham o rendimento final
  • Os principais riscos dos fundos são o crédito do Brasil, a variação na cotação das moedas e a alteração da percepção de risco do país
  • O risco de crédito do Brasil é atenuado pelo colchão confortável de reservas internacionais, que ultrapassa o montante de 370 bilhões de dólares.


fonte: btg pactual