September 11, 2019

Mercado para esta quarta feira


As bolsas avançam na Europa, enquanto os índices futuros das bolsas americanas mostram desempenho errático na manhã desta quarta-feira, em meio a sinais adicionais de que a China quer mitigar o impacto negativo da guerra comercial com os Estados Unidos. A rotação de carteiras que domina o noticiário de mercado desde final da semana passada, continuava, desta vez na Europa, onde foi notada uma migração para setores cíclicos que, como a mineração, tinham ficado para trás.
O catalisador dos ganhos em Londres e Frankfurt foi um tuíte do influente editor do The Global Times, Hu Xijin, prenunciando a implementação de medidas por parte da China quanto à disputa comercial. Nesse contexto, o iene recuou ante o dólar pelo terceiro dia consecutivo – um sinal de menor estresse de mercado. Mesmo assim, a cautela se resiste a ceder significativamente.
Após o tuíte de Xijin, que comanda um jornal ligado ao PartidoComunista chinês e é visto como um braço de propaganda da liderança de Xi Jinping, o governo da China anunciou a isenção da sobretaxa de 25% estabelecida no ano passado para 16 tipos de produtos americanos. No entanto, os chineses não retiraram as tarifas sobre itens considerados críticos para destravar as negociações, como soja e carne suína. 
No plano local, alguns temas dominam o noticiário político e, logicamente, devem dar direcionamento ao pregão de hoje: por um lado, parece que os czares da Reforma Tributária nas duas Casas do Congresso rechaçam a possibilidade de um imposto único às transações financeiras, como o ministro da Economia, Paulo Guedes, gostaria. Isso deixaria a implementação do projeto para depois. Segundo alguns jornais, como O Estado de S. Paulo e O Globo, o governo deve apresentar em sua proposta para a reforma, hoje, que saques e depósitos em dinheiro sejam taxados com uma alíquota inicial de 0,4%.
Para pagamentos no débito e no crédito, a alíquota inicial estudada é de 0,2%. A ideia do governo é usar o novo imposto para substituir gradualmente a tributação sobre os salários, considerada pela equipe econômica como nociva para a geração de empregos no país.
Na esteira da demora na aprovação da Nova Previdência no plenáriodo Senado, que ficou para a semana que vem e que pesou na queda do Ibovespa da véspera, o investidor quer ver como o governo vai se mexer para aprovar a Lei das Teles, hoje, na Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado. As chances de passagem do projeto, fundamental para o futuro da Oi, são altas, disse o analista político da IdealPolitik, Leopoldo Vieira.
O presidente Jair Bolsonaro, que passou o primeiro semestre focando sua articulação política na Câmara, enfrenta, a partir da agora, vários testes no Senado: as indicações de Augusto Aras para a Procuradoria-Geral da República e do seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro, para a embaixada do Brasil nos EUA; a votação da Nova Previdência, e a análise dos vetos à Lei de Abuso de Autoridade. A novela das liberações de verba ganha, assim, protagonismo, e pode gerar algum ruído.
Preste atenção nos papéis de incorporadoras ligadas ao Minha Casa, Minha Vida: sem recursos para bancar sua parte nos subsídios do programa, o governo deve recorrer ao FGTS para bancar a totalidade das subvenções das faixas 1,5 e 2, segundo o jornal Estado. A medida tem potencial de destravar R$26,2 bilhões em investimentos do MCMV. Além da retomada da votação da Lei das Teles, às 10h00, fique de olho na agenda de Guedes.
O Fipe informou hoje que o índice de preços em São Paulo, o IPC, da semana anterior, avançou 0,29%. O destaque do dia no plano econômico é a divulgação, pelo IBGE, dos dados de vendas no varejo de julho – números que podem reforçar a aposta em corte da Selic. À tarde, o Banco Central comunica o fluxo cambial da última semana. Os EUA informam pedidos de hipoteca semanal e o índice de preços ao produtor de agosto.
Fonte: TC Mover