September 05, 2019

Giro pelo mercado

Finalmente, apesar das provocações mútuas e do tom belicoso do momento entre os governos dos Estados Unidos e da China, o vice-premiê chinês, Liu He, concordou em visitar Washington no início de outubro, retomando formalmente as negociações comerciais entre as duas maiores economias do mundo. O plano foi acertado em telefonema ontem entre Liu, o secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, e o representante comercial americano, Robert Lighthizer.
 
O anúncio veio dos chineses; seguido de uma declaração cautelosa dos americanos, confirmando que a reunião ocorrerá nas próximas semanas, sem especificar uma data. Os mercados repercutem a notícia com alta nas bolsas e queda na aversão ao risco. Se o melhor humor vai se sustentar, dependerá da indicação de mais estímulo monetário por parte dos maiores bancos centrais do mundo.
 
Assim, com um cenário de curto prazo menos convulsionado, o índice S&P500 pode retomar a um patamar mais próximo dos 3 mil pontos, o Dow Jones pode se situar na casa dos 26.500 pontos e o Ibovespa, encontrar um piso firme nos 101.500 pontos, disseram analistas técnicos e membros experientes do TC. Porém, alertam alguns, ainda há, estruturalmente, problemas que impedem uma melhora permanente no desempenho das bolsas globais.
 
Hoje, o índice pan-europeu Stoxx600 avançava pelo segundo dia, liderado pelas ações industriais e de montadoras. Os futuros dos índices acionários em Nova Iorque apontam para abertura em forte alta. Os rendimentos dos Treasuries dispararam após o anúncio. Na Ásia, Tóquio liderou o avanço nas bolsas e o contrato futuro do ouro recuou pela primeira vez na semana. Sinais promissores para a B3.

No Brasil, é importante ficar de olho às polêmicas declarações do presidente Jair Bolsonaro quanto ao seu apoio a um relaxamento dos limites orçamentários contidos na lei do Teto de Gastos e sobre a ex-presidente chilena Michelle Bachelet. Hoje, ele se retratou no Twitter, em relação ao primeiro, dizendo que afrouxar o Teto de Gastos é “abrir uma rachadura no casco do transatlântico.” A equipe econômica não trabalha para alterar a norma vigente, disse uma fonte à TC Mover.
 
O Ministério da Economia quer reduzir e desindexar as despesas obrigatórias, como deseja o Congresso. A imprensa de novo dá diversas interpretações do tema. O porta-voz de Bolsonaro alegava ver falta de recursos para o funcionamento do governo sem um Teto de Gastos mais frouxo. Uma coisa que o presidente tem reiterado é sua recusa a elevar ou criar mais impostos para financiar gastos.
 
Nesta quinta-feira, os Estados Unidos divulgam a pesquisa mensal de emprego ADP - uma prévia do número oficial de geração de empregos e comportamento do mercado de trabalho, assim como os números semanais de seguro-desemprego, o PMI composto, o índice ISM de serviços mensais e os pedidos de bens industriais - é importante estar atento a todos eles para auscultar a saúde da economia americana e entender para onde vão os juros.
 
Todos esses dados são a antessala, como dizíamos, do relatório payroll de emprego privado não agrícola de agosto, que será divulgado na sexta-feira. Aqui no Brasil, o destaque na agenda econômica são os dados de produção e vendas mensais de veículos da Anfavea para agosto. Fique de olho na repercussão do avanço da agenda econômica no Congresso, que, na próxima semana, pode incluir votações da Reforma da Previdência e da Lei das Teles no plenário do Senado.
Fonte: TC Mover

■ Commodities 

Minério de ferro: Mais uma vez, a jornada desta quinta foi marcada pela valorização dos contratos futuros do minério de ferro, que são negociadas na bolsa de mercadorias da cidade chinesa de Dalian. O ativo somou 1,17% a 647,00 iuanes por tonelada.
Petróleo: Os Futuros do Petróleo subiram durante a sessão asiática. Na bolsa mercantil de Nova York, os contratos futuros do petróleo, com vencimento em Outubro, foram negociados na entrega a US$ 56,27 por barril no momento da escrita, avançando 0,02%.
Ouro: Os contratos futuros do Ouro caíram durante a sessão asiática. Na divisão Comex da Bolsa Mercantil de Nova York, os contratos de referência do Ouro, com vencimento em dezembro, encerraram a jornada a US$ 1.553,65 por onça troy, recuando 0,43%.