September 10, 2019

Giro pelo mercado nesta terça feira

Os ativos de risco começam o dia em queda, com o investidor global fazendo uma pausa antes da enxurrada de decisões de juros desta e da próxima semana, e na ausência de fatos mais relevantes sobre o futuro da guerra comercial Estados Unidos-China. De novo, as bolsas na Ásia fecharam sem direção, enquanto as bolsas europeias e os futuros dos índices acionários americanos seguem o desenrolar da novela do Brexit, no Reino Unido.
 
Os rendimentos dos títulos de dívida dos países mais ricos avançaram pelo primeiro pregão em três dias, claro sinal de cautela na ausência de catalisadores concretos. O petróleo toca o patamar mais alto em cinco semanas após o novo ministro da Energia da Arábia Saudita, o príncipe Abdulaziz bin Salman,  comprometer-se com a política de restrições de oferta vigente na Organização dos Países Produtores e Exportadores de Petróleo, a Opep.
 
Mundo afora, o investidor também se prepara para a divulgação de dados de inflação nos EUA, amanhã, e, na quinta-feira, a reunião do Banco Central Europeu. Entre quarta e quinta, além do BCE, os BCs da Malásia, Turquia e Polônia anunciam decisões de juros. Ontem, a China divulgou deflação nos preços ao produtor e os dados de desemprego do Reino Unido mostraram leituras fracas.
 
Assim, o cenário é de atividade mundial frouxa, com necessidade de estímulo monetário, disseram gestores. No entanto, são poucos os que acham que cortar juros adianta alguma coisa. Hoje, a Apple deve apresentar seus mais recentes modelos de iPhones e atualizações de modelos existentes, em meio à pressão competitiva crescente, aos desdobramentos da guerra comercial nos negócios da gigante de tecnologia e à desaceleração econômica global.
 
O tema do dia, mundo afora, deve ser o Brexit, que caminha rapidamente para mais um impasse. O premiê britânico Boris Johnson prometeu trabalhar duro para conseguir um acordo com a União Europeia, após seis derrotas consecutivas em diversas votações no Parlamento – que ontem foi suspenso a pedido de Johnson. Há grande incerteza quanto ao que possa acontecer ao longo das cinco semanas que o Parlamento estará fechado: Johnson está decidido a entregar uma proposta para sair da União Europeia no prazo estipulado, de 31 de outubro.
 
Cada vez há menos esperança de que isso aconteça. De qualquer forma, ontem o presidente da Câmara dos Comuns, John Bercow, decidiu que não continuará depois dessa data – ele tem sido um facilitador dos opositores de Johnson, que se resistem a uma saída abrupta. A libra negocia estável ante o dólar hoje.
 
No plano local, o mercado deve reagir, não se sabe se muito bem ou muito mal, à notícia de que lideranças partidárias e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, não chegaram a um acordo para acelerar a votação da Reforma da Previdência no plenário da Casa nesta semana. O texto só deve ser avaliado pelos senadores, em primeiro turno, na semana que vem. A data será decidida hoje, em reunião de líderes.
 
A proposta corre o risco de ser contestada no Judiciário e até pode ter sua promulgação atrasada, de acordo com matéria do jornal O Globo, por conta de mudanças, feitas pelo relator Tasso Jereissati, no mérito do texto originalmente aprovado na Câmara. Preocupa bastante a mudança que permitiria a estados e municípios criar alíquotas extraordinárias dos servidores para cobrir os rombos dos seus regimes próprios. O mercado, certamente, não deve gostar muito dessas piruetas.
Fonte: TC Mover

■ Commodities 

Minério de ferro: A jornada desta terça-feira foi marcada por uma nova valorização nas cotações dos contratos futuros do minério de ferro, que são negociados na bolsa de mercadorias da cidade chinesa de Dalian. O ativo encerrou a 655,50 iuanes por tonelada, ganhos de 3,31%.
Petróleo: Os Futuros do Petróleo subiram durante a sessão asiática. Na bolsa mercantil de Nova York, os contratos futuros do petróleo, com vencimento em Outubro, foram negociados na entrega a US$ 58,17 por barril no momento da escrita, avançando 0,55%.
Ouro: Os contratos futuros do Ouro caíram durante a sessão asiática. Na divisão Comex da Bolsa Mercantil de Nova York, os contratos de referência do Ouro, com vencimento em dezembro, encerraram a jornada a US$ 1.497,95 por onça troy, recuando 0,87%.