September 09, 2019

Destaques desta segunda feira

Bolsas e commodities abrem em alta nesta segunda-feira, apesar dos números frouxos da balança comercial chinesa e de crescimento no Reino Unido. Divulgada no domingo, a balança comercial da China atingiu superávit de US$34,8 bilhões em agosto, frustrando o consenso. Mesmo com a desvalorização do iuan, as exportações recuaram 1,1% no mês e as importações caíram pelo quarto mês seguido, com recuo de 5,6% desta vez.
Enquanto isso, o investidor segue de olho na rodada de afrouxamento monetário ao longo dos próximos dias, com a reunião do Banco Central Europeu atraindo os holofotes nesta quinta. Os BCs da Polônia, Malásia e Turquia também se reúnem, entre quarta e quinta, para decidir o que fazer com os juros – o mais provável é que se unam aos mais de trinta países que já reduziram as taxas básicas ou ampliaram programas de expansão monetária ao longo do ano.

Dentre os dados da balança comercial chinesa, o destaque foi o saltonas compras de minério de ferro que, em agosto, alcançaram o maior patamar desde janeiro de 2018. O minério futuro reagia com alta de quase 1,8%. A alta nos juros da dívida dos países mais ricos também ajuda os ativos de risco: as Treasury yields voltaram ao patamar de 1,60% depois de quase três semanas flertando com o 1,40%.
Com os futuros dos índices americanos apontando para abertura em alta, outro evento mundo afora deve impactar os mercados: o Congresso americano volta hoje para a legislatura de outono, em meio a um clima de crescente confronto entre o presidente Donald Trump e o opositor Partido Democrata. Fique de olho na forma como o Congresso pode limitar os poderes de Trump para ditar a política comercial americana.

Os mercados globais também reagem hoje à notícia de sexta-feira de que a China reduziu a alíquota de depósito compulsório dos bancos comerciais, medida que deve liberar mais de US$100 bilhões para crédito em infraestrutura e pequenas e médias indústrias. Fique de olho, portanto, na evolução das conversas entre os Estados Unidos e o país asiático em torno da guerra comercial: no final de semana, o The Wall Street Journal disse que a China ofereceu aumentar, de forma modesta, as compras de produtos agrícolas americanos, para destravar as negociações.
A administração Trump elevou as tarifas sobre produtos chineses no início do mês e deve aumentar ainda mais as taxas em outubro e novamente em dezembro se não houver avanço significativo nas reuniões ministeriais marcadas para esse mês. Equipes dos dois países devem se reunir, frente a frente, em Washington nos próximos dias.

No plano local, os destaques vêm da entrevista que o ministro da Economia, Paulo Guedes, concedeu ao jornal Valor Econômico, publicada nesta segunda-feira. A lista de notícias com potencial de impactar o pregão de hoje é longa: Guedes disse que pretende propor a privatização de todas as empresas estatais. A decisão final é do Congresso.
Segundo o ministro, o presidente Jair Bolsonaro - que hoje ficará fora do expediente por conta da cirurgia de ontem para corrigir uma hérnia - apoia integralmente a privatização. Guedes também insistiu que o governo não vai ceder no esforço de corrigir o crônico problema orçamentário do país: "Vamos desindexar, desvincular e desobrigar todas as despesas de todos os entes federativos", disse.

Para hoje, fique de olho na tradicional pesquisa Focus do Banco Central, que pode mostrar algum ajuste nas projeções da taxa básica de juros Selic, do crescimento do PIB e da inflação para 2019 e 2020. Não deixe de acompanhar as redes sociais de Trump, principalmente nesta semana que antecede a decisão de juros americanos do Federal Reserve, marcada para 18 de setembro. Bolsonaro também deve tuitar ativamente, mesmo se recuperando da operação de ontem, em São Paulo.
Hoje, Guedes deverá ter a reunião semanal com os secretários especiais do ministério, enquanto o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, cumpre agenda em Basileia, Suíça, na reunião de bancos centrais promovida pelo Banco de Compensações Internacionais, ou BIS. No âmbito político local, o mercado aguarda a votação da Reforma da Previdência e da Lei das Teles no plenário do Senado.
Fonte: TC Mover