July 03, 2019

De que adianta ganhar em reais se o real perder valor frente ao dólar?

O valor dos investimentos com taxas de juros negativas ao redor do planeta atingiu um recorde de US$ 9 trilhões. É gente que joga para perder de pouco. São centenas de milhões de pessoas que atuam na retranca, esperando salvar alguma coisa para a velhice.
   
Trata-se de um processo constante de descapitalização.

   
“Minha vida tem de terminar antes do meu dinheiro”¸ seria a filosofia desses melancólicos “investidores”.
   
Outros aplicam a taxas de juros abaixo da inflação de seus países. Nos Estados Unidos, por exemplo, os títulos de cinco anos do Tesouro estão rendendo 1,75%, contra uma inflação anual de 1,80%.
   
Na Grã-Bretanha, os papéis de cinco anos do Banco da Inglaterra (BoE) rendem 0,52% ao ano, contra um custo de vida (também anual) de 2,1% (2018).
   
Ontem, o banco central da Austrália reduziu sua taxa básica para 1%, o menor nível de todos os tempos, que agora passa a perder para a inflação: 1,3%.
   
Por que será que o Brasil não consegue captar boa parte desse dinheiro? Caramba! No momento nossa taxa Selic está em 6,5% ao ano, contra um IPCA estimado em 3,80% (2019) e 3,91% (2020).
    
A resposta é simples: ausência de credibilidade no país e, por conseguinte, em sua moeda. De que adianta ganhar em reais se o real perder valor frente ao dólar?

   
Essa falta de confiança nos mercados que dão retorno positivo (se desconsiderarmos a variação cambial) faz com que os gestores internacionais comprem, por exemplo, ouro e iene japonês.
    
Além de o ouro não render nada, se o investidor adquirir o metal físico terá de arcar com as despesas de custódia. Se recorrer ao mercado futuro, haverá o custo de rolagem, já que a mercadoria trabalha em contango (futuros mais caros do que o spot).
   
Só que há um bônus de extrema relevância. Uma vez que o ouro vem se valorizando, acaba rendendo mais do que diversas aplicações de risco. Nos últimos doze meses, por exemplo, foram 12,20%. Em dólares, bem entendido.
   
O mesmo aconteceu com o iene, em menor proporção. Subiu 1,94%, contra o dólar, de julho de 2018 até hoje, compensando amplamente os investidores na moeda japonesa que aplicaram em obrigações a taxas negativas de 0,25% (papéis de dois anos).

   
A conclusão é mais do que óbvia. Em tempos de contração econômica mundial, os investimentos-refúgio se tornam boas aplicações.