Comprar pequeno e sem hedge é muito diferente de comprar grande com hedge.

“Nunca a conjuntura foi tão pouco conjuntural.” A frase é do economista André Lara Resende. Pego emprestada porque encaixa bem pra hoje. 
“Nossa espécie é péssima em avaliar riscos. Um ser humano típico tem medo de cobras e tubarões, mas não hesita muito em fumar ou acelerar seu carro. Nos EUA, onde as estatísticas são mais confiáveis, cobras e tubarões matam, respectivamente, cinco e 0,5 pessoa por ano, enquanto o cigarro e os acidentes de trânsito geram 480 mil e 35 mil óbitos anuais.” O parágrafo é de Hélio Schwartsman, publicado ontem na Folha.
Quando você monta uma estratégia de hedge – e falando neste caso particular da compra de put no caso da Vale –, não quer dizer que você espera que o cenário negativo vá se materializar. Não é uma aposta no que já é ou no que você acha que será, mas apenas nas mais variadas hipóteses e possibilidades de materialização de um cenário futuro negativo. Essas hipóteses e possibilidades podem ser mapeáveis a priori ou podem nem sequer fazer parte da capacidade de imaginação ex-ante.
O hedge é montado para se proteger de tudo isso, inclusive e principalmente de você mesmo, de suas próprias convicções. Gênios também erram, em especial nos ambientes de incerteza e volatilidade. 
Comprar pequeno e sem hedge é muito diferente de comprar grande com hedge. Isso acontece porque a matriz de retornos potenciais não é linear e pode envolver convexidade. 

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