Giro pelo mercado

A última reunião do Federal Reserve em 2018 termina nesta quarta-feira e já é amplamente esperado o quarto aumento deste ano na taxa básica de juros dos Estados Unidos, em 0,25 ponto percentual, para o intervalo de 2,25% a 2,50%. Com isso, o mais importante será a sinalização em relação aos próximos passos e se será mantido o tom suave mais recente.
O problema é que o anúncio da decisão do Fed será perto do fim do pregão doméstico, às 17h, e a entrevista coletiva do presidente do Fed, Jerome Powell, começa às 17h30, com repercussão apenas na Bovespa e no dólar futuro. Até lá, os investidores devem redobrar a cautela, mantendo discretas oscilações nos ativos e um volume de negócios bastante reduzido.
Aliás, é a dificuldade dos investidores em se adaptar às condições menos generosas de liquidez global - após uma década de “dinheiro fácil” via estímulos monetários - que está no pano de fundo da expectativa em torno do Fed. Ontem mesmo, Donald Trump bradou pelas redes sociais para que o Fed não deixe o mercado financeiro “mais ilíquido” do que já está.
Afinal, uma postura mais suave (“dovish”) da autoridade monetária em relação à condução dos juros dos EUA no ano que vem pode manter o fluxo de recursos aos ativos emergentes. Em contrapartida, um tom duro (“hawkish”) pode reduzir o apetite global por risco. Por isso, o que está por vir é a grande questão do mercado financeiro.
Toda atenção será dada às projeções do Fed sobre o rumo dos juros nos próximos anos - o chamado dot plot. Com a atividade econômica mundial dando sinais de enfraquecimento e elevando os riscos de uma desaceleração econômica, o receio é de que o Fed possa estar equivocado no processo de alta, ampliando a preocupação sobre uma recessão nos EUA.
As apostas são de que a média de três altas de 0,25 ponto no ano que vem seja alterada, caindo para duas ou até uma única elevação em 2019. Um aumento que aponta para um ciclo de aperto mais lento e mais dependente dos dados econômicos pode ser o resultado mais positivo para os mercados. No entanto, um Fed muito dovish pode levantar dúvidas quanto à perda de tração da economia dos EUA nos próximos meses, assustando os investidores.
Recomendações do dia

Mahle Metal Leve (LEVE3): A equipe de análise do Itaú BBA elevou o preço-alvo das ações da Mahle Metal Leve de R$ 30 para R$ 35. A recomendação outperform foi mantida.

Vale (VALE3): A XP Investimentos reforçou a recomendação de compra para a Vale, com preço-alvo em R$ 70.

Cesp (CESP6): Os analistas do Santander elevaram a recomendação da CESP para compra, com preço-alvo de R$ 26,60.

Cemig (CMIG4): Para a Cemig, os analistas optaram por reiterar a recomendação de compra, com preço-alvo elevado de R$ 7,85 para R$ 15,18.

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