Cautela essa é a palavra de ordem no mercado financeiro de sexta feira.

A cautela impera no mercado financeiro, no Brasil e no exterior. Os investidores devem redobrar a postura defensiva neste último pregão da semana, um dia após a decisão de juros do Federal Reserve e de muitas reuniões, mas poucos anúncios, em Brasília. A proximidade de quatro feriados nas próximas duas semanas, dois aqui e dois nos Estados Unidos, tende a esvaziar os negócios até o Thaksgiving, no dia 22, reduzindo a exposição aos ativos de risco.

Ontem, o Federal Reserve manteve os juros nos EUA no intervalo entre 2% e 2,25% neste mês, mas mostrou-se a caminho para elevar a taxa básica norte-americana em mais 0,25 ponto em dezembro, apesar das críticas do presidente Donald Trump. Com os riscos “mais ou menos equilibrados”, o Fed repetiu a intenção de manter um ritmo gradual no processo de aperto monetário, em meio ao crescimento “forte” da atividade econômica e do emprego.

Mas o Banco Central dos EUA esquivou-se em ir muito além e preferiu adotar uma linguagem que não projeta um olhar para frente, garantindo-lhe flexibilidade em relação aos próximos passos, sem se comprometer com ações futuras. É bom lembrar que a partir da próxima reunião do Fed, em dezembro, será concedida sempre entrevista coletiva, ao final de cada encontro, nos moldes do que o BC Europeu (BCE) faz atualmente.
Essa mudança eleva a transparência na comunicação do Fed, mas também torna as decisões menos previsíveis. Afinal, os investidores apenas esperavam novas pistas sobre alterações na condução da taxa de juros norte-americana apenas ao final de cada trimestre, quando as coletivas ocorriam. Agora, essas sinalizações podem acontecer a cada reunião.
Cientes disso e sem mudanças, por ora, na intenção do Fed de continuar subindo a taxa de juros nos EUA, o que eleva a atratividade do retorno seguro nos títulos do país (Treasuries), o mercado financeiro começa, enfim, a avaliar se não é o momento de começar a vender ações, em meio aos recentes níveis recordes em Wall Street. Os índices futuros das bolsas de Nova York amanheceram na linha d’água, mas com um ligeiro viés negativo.

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