O mercado financeiro no Brasil dedicou o dia seguinte à inesperada decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) para externar toda a ira com o contrapé dado pelo Banco Central.

O mercado financeiro no Brasil dedicou o dia seguinte à inesperada decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) para externar toda a ira com o contrapé dado pelo Banco Central. 
A surpresa com a manutenção da taxa básica de juros em 6,50% provocou um ajuste nos preços dos ativos locais, ampliando a pressão no dólar e recompondo os prêmios nos juros futuros, ao passo que a bolsa desceu mais de 3 mil pontos.
O que houve, na verdade, foi uma reversão de expectativas. Ou, no jargão do mercado, um desmonte de posições, que acionou ordens de stop loss (perda máxima aceitável), intensificando o movimento dos mercados domésticos. Todos sabiam que, uma hora, essa correção viria.
Não é, portanto, culpa do BC. Mas de expectativas que foram montadas em cima de um cenário pouco factível e condizente com a realidade. Por isso, não adianta só agora trazer à tona todos problemas internos dos quais se fala há tempos - incerteza eleitoral, crise fiscal, insucesso nas reformas etc. - e dos quais o investidor (e economistas) vinha ignorando, surfando na onda da liquidez global - que, aliás, mingou.
Sem entrar no mérito da questão sobre a falha na comunicação da autoridade monetária, a pergunta que fica é: e se a Selic tivesse caído mais 0,25 ponto na quarta-feira, para onde teria ido a taxa de câmbio? Ontem, o dólar subiu pela quinta sessão seguida e encerrou no maior nível em pouco mais de dois anos, já na casa dos R$ 3,70. E como estariam distribuídos os prêmios nos juros futuros? Até então, praticamente não havia risco embutido nas taxas dos DIs, como se o Brasil fosse “uma suíça”.
O investidor resolveu, então, passar o Brasil a limpo e se escorou nos dados recentes de atividade e inflação, entre outros, para se dar conta de que o crescimento econômico está sob risco, com o PIB do primeiro trimestre deste ano podendo voltar ao vermelho, e que a trajetória de alta dos preços só deve seguir comportada por causa do espaço estreito para repassar pressão de custos, em um ambiente de baixa demanda e elevado desemprego.

.