O homem está impossível




O índice IBC-Br marcou retração de 1,07% em março. A expectativa, que já não era boa, apontava queda bem menos expressiva, na casa de 0,5%.

 

Observe: as expectativas de consenso têm sido recorrentemente frustradas. O que isso quer dizer?

 

Que o mercado, meses atrás taxado de “terrorista” e “pessimista”, na verdade, tem se provado um grande otimista.

 

E que as projeções atuais, de encolhimento de 1,2% do PIB este ano, precisam ser revisadas para baixo. 

 

Mesmo sem apagão (vimos ontem que a queda do consumo com a desaceleração econômica está resolvendo esse problema), mantemos projeções de queda próxima de 2%.

 

A projeção do governo, recentemente revisada, é de queda de 0,9% da economia neste ano. Se bem que o IBC-Br não deve afetar essa...

 

Para o governo, o indicador só tem sido parâmetro para o PIB quando sobe.

 


que não possa piorar

 

A deterioração econômica não está só. 

 

O mercado tem errado consistentemente em outra conta: do ajuste fiscal. 

 

A questão com Levy não é pessoal e tampouco profissional. A questão não é (nunca foi) com Levy...

 

Seduzido pela retórica, as levyzetes colocaram tudo nos preços... 

 

Agora, preocupado com as derrotas do Governo no Congresso, com votações adiadas para desoneração da folha e recrudescimento das regras para acesso a auxílio-desemprego, correm para tirar.  

 

 O homem está impossível 

 

Sem o ajuste à sua maneira, Levy procura outras...

 

Se não consegue fazer o ajuste via redução de despesas, vai na base de aumento da arrecadação. 

 

Depois da intenção de tributação sobre os dividendos e as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs), e do interesse manifesto de tributação sobre dividendos, a Fazenda defende duas propostas: (i) a extinção do benefício fiscal sobre juros sobre capital próprio (JCP), e (ii) a elevação da CSLL dos bancos de 15% para 17%, ou até mesmo 20%.

 

Ele ataca por todos os flancos... Não vai faltar incerteza e (des)estímulo para o investimento.

 

Daqui a pouco, vamos torcer para que esse downgrade do rating venha logo. 

 

Aí, quem sabe, o homem sossegue.

 

Desta vez é diferente?

 

As ações da Petrobras se recuperam dos tombos consecutivos, liderando as altas do Ibovespa no momento que escrevo.

 

Os investidores aparentemente ignoram o fato de que a CVM abriu investigação que pode culminar na necessidade de Petro ter de republicar seus balanços de primeiro trimestre, caso comprovada a suspeita de que lançou no primeiro tri contas posteriores a março (!!!).

 

Segundo matéria da Folha de S. Paulo, a companhia incluirá em seu Plano de Negócios, que será divulgado em junho, um compromisso de que a política de importações seguirá preços de mercado. 

 

Mas, segundo a própria matéria, não terá nenhuma fórmula ou metodologia de reajuste...

 

Déjà vu?

 

 
 

 

O que leva a crer que desta esta vez será diferente, e o governo vai abrir mão de do preço do combustível e (por conseguinte) de controlar o seu impacto sobre os índices de inflação?

 

 

Uma solução para Petrobras

 

O diretor financeiro da companhia, Ivan Monteiro, afirmou na última segunda-feira que, sim, desta vez é diferente e a companhia tem plena “liberdade” para praticar preços de mercado.

 

Bom, se ela tem liberdade, só não entendo por que não está fazendo...

 

A companhia nunca precisou tanto de dinheiro, mas prefere, deliberadamente, operar com defasagem superior a 5% em sua política de importações, contando preço do óleo e câmbio atual?

 

Sugestão: se o governo quer cobrar da estatal R$ 20 bilhões de diferença do preço do barril da cessão onerosa para ajudar no ajuste fiscal, e agora a empresa está livre da ingerência política, por que a Petrobras não cobra do governo os mais de R$ 55 bilhões de prejuízo que acumula desde 2009 com sua política de importações de combustíveis pró-índices de inflação?

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