Semana pré Carnaval começa com poucos motivos para folia.

Semana pré Carnaval começa com poucos motivos para folia.
Relatório Focus semanal manteve a sina de mais inflação com menos crescimento e atingiu enfim a projeção de crescimento 0,00% para a economia brasileira e 7,15% de inflação, conforme a mediana das estimativas dos agentes de mercados.
Como o novo (velho) governo resolveu alinhar as suas projeções às dos agentes de mercado, diante da tentativa de recuperar a credibilidade de suas metas, em pouco mais de um mês de 2015 a sua aposta já encontra-se completamente defasada...
Bem distante do 0,8% de crescimento estimado pelo governo para este ano...
E muito acima do teto da meta de inflação ainda sem o grosso do impacto do aumento do combustível na bomba, do dólar a R$ 2,80 (& contando...) e dos aumentos adicionais no preço da energia - segundo a Firjan o custo da energia para a indústria subirá a bagatela de 43,6% este ano (!!).
Diante da ameaça real de racionamento de água e energia e o risco sistêmico de Petro (detalhes abaixo), mesmo o relatório Focus parece-me um tanto defasado.
Para quem ficou chocado com os 7 x 1 contra a Alemanha, não esquecer que depois ainda veio a Holanda...
8 x -2 é um placar que não pode ser desprezado.

Dediquei um M5M recente a abordar essa questão do risco de “contágio” dos problemas da Petrobras para o restante da economia.
Pois esse contágio está se alastrando para além dos atrasos no pagamento de fornecedores e paralisação de projetos.
Segundo coluna de Lauro Jardim, estatais como Eletrobras estão sofrendo pressão de seus auditores, que exigem o lançamento de provisões relacionadas ao risco de corrupção. Ou fazem um ajuste enorme que impactará seu balanço, ou, assim como Petrobras, não terão o balanço auditado.
Enquanto isso, bancos estão rebaixando suas projeções de crescimento para a economia diante do iminente corte de 30% nos investimentos da Petrobras, que, sozinha, é responsável por aproximadamente 10% de tudo o que se investe no País.
Uma perda de rating pela estatal teria impacto sobre o rating soberano de Brasil, e vice-versa.

 O prazo de validade de Levy
No fim de semana, pesquisa Datafolha mostrou drástica deterioração na avaliação do governo após as eleições:
 

Motivo?
Segundo a pesquisa, a rápida deterioração da economia, as medidas econômicas impopulares (“tarifaço”), o descumprimento de promessas de campanha e os escândalos de corrupção.
E lembrar que teve gente abismado por fazermos relação entre política e economia/mercados cerca de um ano atrás...
Pois bem. Em efeitos práticos, o que os dados acima podem indicar?
Ainda que alarmado todo o compromisso do mundo com o ajuste fiscal, não podemos esquecer que à frente da política econômica há a questão política.
Quando o time vai mal e sofre pressão da torcida, qual costuma ser a resposta mais rápida e fácil da diretoria?
Troca-se o técnico.
A popularidade do governo pode ser conhecida, também, como o índice de prazo de validade do ajuste fiscal.

Abril Educação (ABRE3) ficou relativamente blindada dos problemas de endurecimento das regras do Fies, no inicio do ano.
Única educacional listada sem exposição ao ensino superior, o negócio da empresa sempre foi ensino básico (escolas e sistemas de ensino) e editoras.
Mais recentemente, Abril Educação entrou também em ensino de idiomas, em uma transação de compra da Wise Up - esta, para esquecer...
Eis que hoje a Thunnus adquiriu o controle da Abril Educação, com preço fixado em R$ 12,33.
Consequência?
A ação sobe 17% no pregão, mas ainda mantém um desconto frente a esse prêmio. Isso, porque os minoritários terão direito à extensão da oferta nas mesmas condições (preço) ofertados pela Thunnus - o famoso “tag along”, pois configurou-se troca no controle da empresa.
O que podemos aprender com isso?
Que a menos que você tenha informação privilegiada, não conseguiria acertar o timing exato dessa disparada.
Quando você sabe (e admite) que nada sabe, resta-lhe, portanto, comprar ações baratas e torcer para as surpresas virem do lado positivo. Simples assim.
Como está barato, o espaço para perdas no caso de surpresa negativa é muito menor do que o potencial para ganhas, no caso de surpresa positiva.
Falando bonito, é a forma de assumir uma assimetria de retornos potenciais favorável.
É justamente o racional de investimentos que norteia nossa série das Barganhas da Bolsa, que, hoje, deu motivos para comemorar.

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