Cenário Economico

No cenário internacional, o destaque na última semana ficou com os dados fortes de emprego dos Estados Unidos – em janeiro, tanto os dados de criação de vagas quanto o de rendimentos superaram as expectativas, adicionando às evidências de que a economia do país está em franco processo de recuperação da crise. Na China, o destaque foi a decisão do Banco Central de reduzir a taxa de compulsório bancário em 0,5 pp, para 19,5%. Essa foi mais uma dentre as medidas de afrouxamento monetário que têm sido tomadas em importantes economias (com a exceção dos EUA) destinadas a incentivar a atividade econômica e evitar a inflação excessivamente baixa.
 
No Brasil, foram anunciadas importantes mudanças na diretoria do BC. O presidente Alexandre Tombini indicou Tony Volpon, executivo da Nomura Securities, para a diretoria de assuntos internacionais. O atual diretor da área, Luiz Awazu Pereira foi encaminhado para a diretoria de política econômica no lugar de Carlos Hamilton Araujo, que pediu afastamento. Ainda que Carlos Hamilton fosse considerado um dos diretores mais hawkish do Copom, acreditamos que não deva haver rupturas na condução da política monetária – continuamos esperando que o BC eleve os juros em 0,25pp na próxima reunião em março, quando o ciclo de alta da Selic deve ser interrompido com a taxa em 12,5%aa.
 
A produção industrial de dezembro decepcionou as expectativas novamente, com queda 2,8 % na comparação mensal (-2,7% face ao ano anterior), abaixo da nossa expectativa (-1,3%) e da mediana das expectativas de mercado (-2,5%). Os dados do setor industrial decepcionaram nos últimos quatro meses. A profunda contração em dezembro segue um desempenho negativo e revisado para baixo em novembro, no que foi o pior trimestre para o setor em mais de 5 anos. A produção industrial caiu 3,2% em 2014, mais do que compensando o aumento de 2,3 % em 2013. Em dezembro, a produção caiu em 17 dos 24 subsetores - a discriminação por grupos de mercado mostra que bens de capital e de consumo duráveis ​​continuam a mostrar as maiores quedas, mas performances fracas são generalizadas. Nossa projeção para o crescimento do PIB do quarto trimestre de 2014 é de -0,2% (em comparação com o terceiro trimestre), o que implicará um PIB com crescimento zero no ano. Indicadores coincidentes como confiança e utilização da capacidade instalada não indicam bom desempenho em janeiro, e as preocupações sobre abastecimento de energia e água contribuem para uma perspectiva preocupante em 2015.
 
De acordo com a Anfavea, 205 mil veículos foram produzidos em janeiro, uma queda de 13,8% face ao ano anterior (de -11,8% em dezembro). De acordo com o nosso ajuste sazonal, a produção se manteve estável (+ 0,1% na comparação com dezembro), após queda de 6,8% no mês anterior. Depois da decepção com a produção industrial de dezembro, o desempenho da produção de veículos em janeiro não traz muito entusiasmo.
 
No front inflacionário, o destaque foi o IPCA de janeiro, que subiu 1,24%, um pouco abaixo da nossa expectativa (1,27 %) e em linha com as expectativas do mercado. A inflação começa 2015 em com variação anual de 7,14%, bem acima dos 6,41% registrados em dezembro, e estourando novamente o limite superior do intervalo em torno da meta (4,5% + -2pps). A aceleração em relação a dezembro (0,78 %) foi resultado, principalmente, da alta de preços administrados (liderada por tarifas de energia elétrica e de ônibus), e de alimentação no domicílio. Esta é a primeira vez em quase quatro anos que a inflação dos preços administrados está rodando acima do ritmo de preços não administrados na comparação anual (7,5% vs. 7,0%).
 
Durante a semana, revisamos nossa expectativa de inflação de 7,0% para 7,5% para 2015 e de 5,8% para 6,0% para 2016. O principal fator para a revisão da expectativa para 2015 é a abordagem mais realista do governo em relação aos preços de eletricidade. Revisamos também nossa expectativa para o PIB de 2015 de um crescimento de 0,2% para uma contração de 1,2%.
 
Nos mercados, o dólar fechou a semana cotado a R$2,78, o que representou depreciação de 3,8% da moeda brasileira ante o fechamento na semana anterior. A curva de juros ganhou inclinação: enquanto o contrato para janeiro de 2016 teve alta de 0,09 p.p. para 12,84%, o de janeiro de 2021 subiu 0,46 p.p para 12.35%. O Ibovespa ainda sofre com volatilidade das ações Petrobrás – o índice fechou a sexta-feira com 48.792 pontos, um ganho de 4.0% em relação à semana anterior, diminuindo a queda acumulada no ano para 2,4%.

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