Surpresa na Suíça !!!


A Suíça saiu de sua monótona neutralidade e virou componente de risco.
Você viu o que aconteceu com o franco suíço ontem?
Isso:


A moeda suíça sempre andou à moda suíça: monótona, estável. Isso, pois havia um teto de variação de sua taxa de câmbio em relação ao euro.
Batata...
Com juro negativo na Suíça e limite de variação da moeda, ocorria uma incentivo para se emprestar dinheiro na Suíça e aplicá-lo em países de juro mais alto. O famoso "carry trade".
De repente, sem qualquer sinalização prévia, o Banco da Suíça decide retirar o teto para sua taxa de câmbio. O franco suíço sobe 15% e mata qualquer ganho obtido com diferencial de juro.

Por que raios eles fizeram isso?

Você deve saber que a Europa não anda lá essas coisas... Diante disso, o Banco Central Europeu vem estudando o lançamento de um programa de estímulos à região.
A versão europeia do “Quantitative Easing”, o programa de afrouxamento quantitativo e compra de títulos públicos recém-adotado (e encerrado) pelo Banco Central americano.
O lançamento do programa europeu inundaria o mercado de liquidez, obrigando o Banco Suíço a comprar uma enxurrada de euros para sustentar sua ancoragem cambial.
Portanto, foi uma forma de ferrolho suíço, antecipando-se ao lançamento - agora iminente - dos estímulos pelo Banco Central Europeu.
O problema (risco)?
Muita gente que vinha surfando a ancoragem, e o carry trade citado acima, foi pega de calças curtas. Há grandes fundos macro perdendo feio com a decisão, assim como países do leste europeu com financiamentos imobiliários afetados pela valorização do franco.

 É Natal na Suíça!
Qual lição podemos tirar de tudo isso?
Ontem conversamos sobre a primeira edição do Charlie Hebdo pós-atentado e como ela nos deu (mais) uma aula emblemática sobre antifragilidade.
Nada como um dia após o outro...
Talvez você não tenha percebido, mas essa história toda com a Suíça é uma referência ainda mais enfática à teoria de Nassim Taleb.
Alguma semelhança do gráfico do franco suíço com a ilustração abaixo?

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