Comentário Semanal


Geração Futuro e Brasil PluralComentário Semanal
5.1.2015
No cenário internacional, as pesquisas do setor industrial mostraram enfraquecimento em dezembro. Nos Estados Unidos, o indicador ISM caiu para um mínimo de 6 meses. Na China, os PMIs (HSBC e oficial) vieram acima das expectativas, mas abaixo do patamar de novembro e o indicador do HSBC entrou em território contracionista. Já na zona do euro, o PMI mostrou leve alta no resultado final de dezembro, mas abaixo da expectativa do mercado. Também destacamos que o primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, falhou em eleger seu sucessor e as eleições antecipadas, marcadas para 25 de Janeiro, podem levar ao poder o partido de esquerda e anti-austeridade Syriza.

No Brasil, o Banco Central anunciou a renovação do programa de intervenção cambial para mais um trimestre, mas reduzirá a oferta diária de contratos de swap para US$ 100 milhões (de US$ 200 milhões). Além disso, o BC fará leilões de linha conforme as condições de mercado. Já o discurso de posse da presidente Dilma Rousseff foi curto na autocrítica e longo nas promessas difíceis de cumprir, como o ajuste fiscal indolor. Consideramos o discurso, em um sentido amplo, consistente com a aparente mudança para uma nova política econômica, mais market friendly, mas com o viés de costume no sentido nacionalista e estatizante. Foram ainda anunciadas medidas de contenção de gastos, restringindo a regra de concessão de seguro-desemprego, abono salarial, pensão por morte, auxílio-doença e seguro-pescador. De acordo com o futuro ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, haverá uma economia de R$ 18 bilhões (0,3% do PIB) por ano. Além disso, o governo adiará a correção da tabela do IRPF e tentará aprovar a correção em torno de 4,5% (ao invés do reajuste de 6,5% aprovado pelo Congresso).

Conhecemos também o resultado fiscal de novembro. O setor público consolidado mostrou um déficit de R$ 8,1 bilhões, enquanto esperávamos um superávit de R$ 4,6 bilhões e o consenso do mercado era de um déficit de R$ 1,6 bilhão. Comparado à nossa previsão, a surpresa veio de um pior resultado tanto do governo central como dos regionais. No ano, o déficit primário é de R$ 19,6 bilhões, ante um superávit primário de R$ 82,7 bilhões no mesmo período ano passado. Se considerarmos apenas o nível federal, o déficit primário é de R$ 22,2 bilhões, o que significa que o governo teria que entregar um superávit improvável de R$ 32,3 bilhões em dezembro para atingir a sua nova meta de superávit primário em 2014. Em 12 meses, o resultado primário ficou deficitário em R$ 9,2 bilhões ou 0,2% do PIB - este é o primeiro número negativo da série histórica do BC desde 2002. Olhando para frente, esperamos um resultado primário próximo de zero em 2014 (de +0,2% do PIB anteriormente). Ressaltamos que, nesta questão, menos é mais, conforme um resultado mais forte para 2014 pode implicar em mais gastos postergados para 2015.

No front inflacionário, o IGP-M de dezembro veio em 0,62% (acumulando 3,7% em 2014), logo abaixo da nossa expectativa (0,68%) e do consenso de mercado (0,67%). Em uma base de comparação anual, a inflação ficou praticamente estável em relação a novembro - dentre os principais componentes, os preços no atacado (60% do índice) aumentaram 2,1% em relação ao ano anterior e ajudaram a trazer a inflação geral para baixo, enquanto o IPC (30% do índice) aumentou 6,8% e o INCC (que representa os 10% restantes) aumentou 6,7%. Em uma base mensal, o índice desacelerou na comparação com novembro (0,98%), impulsionado pelos preços no atacado (de 1,3% para 0,6%), tanto industriais como agrícolas. Em 2015, vemos a inflação medida pelo IGP-M em 6,0%.

Nos mercados, o dólar fechou 2014 em alta de 12,7% ante o real e terminou a última sexta-feira cotado a R$ 2,69, o que representou uma perda de 0,9% para a moeda brasileira em relação à semana anterior. A curva de juros não se moveu muito em relação à semana anterior: enquanto o contrato para janeiro de 2016 teve baixa de 0,04 p.p. para 12,91%, o de janeiro de 2021 caiu 0,10 p.p. para 12,25%. Após acumular queda de 2,7% em 2014, o Ibovespa fechou a sexta-feira com 48.512 pontos, uma perda de 3,3% em relação à semana anterior.

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