Comentário Semana


Geração Futuro e Brasil PluralComentário Semanal
15.12.2014
No cenário econômico global, um dos principais destaques da semana foi a queda do preço do petróleo no mercado internacional - apenas na última semana, o preço do petróleo caiu 15% e rompeu a barreira psicológica dos 60 dólares, encerrando a última sexta-feira sendo negociado a US$ 57,50 por barril. A queda nas cotações tem sido influenciada por um excesso de oferta e por preocupações acerca do crescimento mundial, em especial na zona do euro e na China. Na China, os dados de investimento e produção industrial de novembro continuam mostrando sinais de desaceleração. Por outro lado, as vendas no varejo e crédito vieram mais forte do que o esperado, o que não indica uma recuperação. Já nos Estados Unidos, crescem as evidências de que a atividade econômica está em trajetória de recuperação, com surpresas positivas nos dados de vendas no varejo e na confiança do consumidor computada pela Universidade de Michigan, que atingiu o nível mais elevado em quase oito anos.

A semana foi cheia no que diz respeito à comunicação do banco central com o mercado. Na terça-feira, dois dias antes da divulgação da ata da última reunião do Copom – que foi o evento mais importante da semana - o presidente do BC, Alexandre Tombini, afirmou em sessão na Câmara que o BC, neste momento, trabalha para trazer a inflação para a meta de 4,5%, mas não deveria ser tomado como surpresa, nos próximos meses, um cenário que contempla inflação acima dos níveis em que atualmente se encontra (6,6%). Acreditamos que esta é uma sinalização de que mesmo que a inflação de janeiro surpreenda (o mercado) para cima, o BC não pretende manter aumentos de 50 pontos-base, mas sim reduzir para elevações de 25. Em relação à política cambial, afirmou, mais uma vez, que o estoque de swaps atende à necessidade de hedge da economia e terão duas semanas para olhar o mercado e decidir se o programa continuará em 2015. Na quinta-feira, a ata do Copom acrescentou pouco ao que o comitê já havia transmitido através do comunicado da reunião e das observações do presidente Tombini no Congresso. Em resumo, a decisão de acelerar o ritmo de aperto foi devido a um ajuste mais rápido dos preços relativos e, olhando para frente, "outros fatores", como políticas fiscais e para-fiscais (de crédito) vão se tornar consideravelmente mais apertadas, o que contribui para levar a inflação de volta para a meta. Mantemos a visão de que o ciclo acabará com a Selic em 12,5% ao ano, com outra elevação 25 pontos-base em janeiro, seguida por dois outros movimentos semelhantes, mas não descartamos completamente, dependendo dos desenvolvimentos de curto prazo, que o Copom realize uma alta de 50 pontos-base em janeiro e finalize com um movimento de 25 em março.

Também destacamos a aprovação da mudança na LDO de 2014, permitindo que o governo faça até um déficit primário este ano. Já a LDO de 2015 foi aprovada pela Comissão Mista de Orçamento e deve ser votada até o próximo dia 22 para garantir os pagamentos prioritários do PAC e pagamentos obrigatórios, como despesas com pessoal e benefícios previdenciários, no início do próximo ano.

No campo da atividade, a Pnad mostrou uma taxa de desemprego (média nacional) de 6,8% no terceiro trimestre de 2014, enquanto a PME (pesquisa mensal em apenas 6 regiões metropolitanas) mostra uma taxa em 4,9% (dados sem ajuste sazonal). Ambas estão abaixo dos níveis de um ano atrás (respectivamente 6,9% e 5,4%), portanto, não mudam muito o cenário do terceiro trimestre mostrado pela PME. Ressaltamos também que a taxa de participação na Pnad não apoia a evidência apresentada pela PME de que a taxa de desemprego tem diminuído devido à queda na taxa de participação - a taxa de participação tem sido mais ou menos estável nos últimos 2 anos na Pnad, sugerindo um mercado de trabalho ainda mais apertado.

Ainda no campo de atividade, as vendas no varejo no conceito ampliado caíram 2,6% em relação ao ano anterior em outubro, perto de nossa expectativa (-2,5%), mas vieram mais fortes do que o previsto pelo consenso de mercado (-3,2%). Como resultado, a média de crescimento trimestral se tornou menos negativa (-3,6% em relação ao ano anterior, de -4,3% em setembro). As vendas no conceito restrito (que excluem veículos e materiais de construção) aumentaram 1,0% no comparativo mensal (1,8% em relação ao ano anterior) em outubro, próximo à nossa previsão de +1,2% e acima do consenso do mercado para um ganho de 0,5% em relação a setembro, trazendo o crescimento trimestral para 1,0%, o maior em 13 meses. Enquanto os números de vendas de outubro mostraram um ganho marginal de momentum, o ambiente de baixa confiança do consumidor continua sendo um desafio para a recuperação relevante da atividade.

Nos mercados, o dólar terminou a última sexta-feira cotado a R$ 2,65, o que representou perda de 2,5% para a moeda brasileira em relação à semana anterior. A curva de juros ganhou inclinação: enquanto o contrato para janeiro de 2016 teve alta de 0,14 p.p. para 12,55%, o de janeiro de 2021 subiu 0,55 p.p. para 12,38%. O Ibovespa fechou a sexta-feira em 48.002 pontos, uma perda de 7,7% em relação à semana anterior, trazendo o resultado no ano para uma queda de 6,8%.

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