Comentário Semana

Comentário Semanal
1.12.2014
O destaque nos Estados Unidos essa semana foi a revisão do PIB do terceiro trimestre – o mercado foi surpreendido com a nova leitura, que apontou um crescimento de 3,9% (taxa trimestral anualizada), superior à estimativa inicial. Já na Europa, teve destaque a inflação de novembro (primeira estimativa), que apontou nova desaceleração dos preços ao consumidor. O presidente do BCE, Mario Draghi, reafirmou essa semana que a autoridade monetária está disposta a fazer uso de novos instrumentos para evitar a deflação no bloco.

O mais importante dado econômico divulgado essa semana foi o PIB do terceiro trimestre, que mostrou um aumento de 0,1%, vindo de uma contração de 0,6% no segundo trimestre. O resultado ficou entre a nossa expectativa (0,0%) e a do mercado (+0,2%), e retira a economia de uma recessão técnica. Nossa expectativa preliminar para o crescimento do PIB no quarto trimestre é de 0,5%, o que nos fez rever a nossa previsão para o PIB de 2014 ligeiramente para cima, para 0,2% (de 0,0%). Revisamos para baixo a nossa expectativa para 2015, de um crescimento de 0,9% para 0,4%, tendo em conta a perspectiva das políticas monetária e fiscal mais rigorosas e os indicadores de confiança ainda muito baixos. A divulgação do PIB do terceiro trimestre reafirma a visão de que a economia está estabilizada e não adiciona qualquer entusiasmo sobre o cenário para 2015: O Brasil não está em recessão, mas também não está crescendo e a complicada situação do abastecimento de água e do fornecimento de energia adicionam riscos para o lado negativo.

Ainda do lado de atividade, tivemos os indicadores de confiança da FGV do consumidor e do setor industrial, além dos dados de crédito. A confiança na indústria aumentou 3,6% em novembro, o segundo aumento mensal consecutivo, mas o baixo nível de utilização da capacidade instalada e os altos níveis de estoque sugerem que alguns ajustes ainda devem ocorrer antes que a produção industrial retome um crescimento sustentável. Já o índice de confiança do consumidor caiu 6,1% em novembro, depois de cair 1,5% em outubro, atingindo o menor nível desde janeiro de 2009. Embora o índice de confiança do consumidor esteja em trajetória descendente desde 2012, a queda em novembro foi muito profunda, e pesa ainda mais sobre as perspectivas para a atividade nos próximos trimestres.

Os dados do mercado de crédito, divulgados pelo BC na última semana, apontaram que o saldo de crédito como percentual do PIB aumentou para 57,3% em outubro, atingindo o maior nível da série histórica. Pelo segundo mês consecutivo, as concessões de crédito aceleraram, impulsionadas pelo crédito direcionado. As taxas de inadimplência, tanto para famílias como para empresas, caíram em relação a outubro de 2013.

Teve destaque durante a semana também o anúncio da nova equipe econômica: Joaquim Levy foi nomeado Ministro da Fazenda, Nelson Barbosa foi nomeado Ministro do Planejamento e Alexandre Tombini foi mantido como presidente do BC. Levy disse que a meta de superávit primário será de 1,2% do PIB em 2015 e subirá para pelo menos para 2% em 2016-2017. Destacamos também o discurso hawkish do presidente do BC, sinalizando que o comitê se inclina para uma alta de 50 pontos-base na reunião da próxima semana. Com este aumento, a Selic deve encerrar o ano em 11,75% - o aperto deve continuar em 2015, trazendo a Selic para 12,5%.

A semana também trouxe os dados do setor externo. O déficit nas transações correntes em outubro foi de US$ 8,1 bilhões, acumulando um resultado negativo em 12 meses de US$ 84,4 bilhões (3,7% do PIB) - o maior déficit desde fevereiro de 2002. Este resultado é explicado principalmente pela deterioração da balança comercial – o superávit comercial em 12 meses caiu US$ 1,0 bilhão, para US$ 2,5 bilhões. Olhando à frente, a balança comercial deve se deteriorar ainda mais, atingindo um déficit de US$ 2,5 bilhões até o final do ano e trazendo o déficit em conta corrente para 4,0% do PIB.

Os dados fiscais de outubro também foram conhecidos essa semana. A arrecadação federal de impostos em outubro totalizou R$ 106,2 bilhões, caindo 1,3% em relação ao mesmo mês em 2013 (em termos reais), após uma alta de 0,9% em setembro. Notamos ainda que a arrecadação de impostos foi impulsionada pelo programa Refis, que contribuiu com R$ 1,7 bilhão no mês. Apesar do resultado mais forte do que o esperado, a arrecadação continua em queda e representa um risco para o resultado primário do ano. O setor público registrou superávit de R$ 3,7 bilhões em suas contas primárias de outubro. Em 12 meses, o superávit primário caiu para R$ 28,6 bilhões ou 0,56% do PIB, abaixo dos 0,61% até setembro e atingindo novamente o nível mais baixo da série histórica BC (desde 2002). Nós revisamos nossa projeção de superávit primário em 2014 para 0,2% do PIB (de 0,6% anteriormente). Para 2015, acreditamos que um resultado de 0,8% do PIB é viável, ainda abaixo da meta de 1,2% anunciado pelo novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, mas vamos esperar pelas medidas de ajuste para revisar nossa expectativa.

Já no front da inflação, o IGP-M de novembro registrou alta de 0,98% (3,66% em 12 meses), acima da nossa projeção (0,92%). O índice acelerou em comparação a outubro (0,28% na comparação mensal, ou 2,96% em 12 meses). Além das mudanças sazonais habituais, a desvalorização cambial e a seca estão impactando os preços no atacado no quarto trimestre e devem trazer a inflação medida pelo IGP-M ao final de 2014 para 3,8%, um ritmo mais rápido do que tínhamos imaginado anteriormente (3,2%). Em 2015, vemos a inflação medida pelo IGP-M em 6,0%.

Nos mercados, o dólar terminou a última sexta-feira cotado a R$ 2,57, o que representou perda de 1,9% para a moeda brasileira em relação à semana anterior. A curva de juros perdeu inclinação: enquanto contrato para janeiro de 2016 teve alta de 0,13 p.p. para 12,46%, o de janeiro de 2021 caiu 0,30 p.p. para 11,63%. O Ibovespa fechou a sexta-feira em 54.664 pontos, uma perda de 2,5% em relação à semana anterior, reduzindo a alta no ano para 6,1%.


fonte:geração futuro/plural

.