A nova promessa

 Me dê motivo...
O IBC-Br, índice de atividade econômica do Banco Central, veio beeem pior do que se esperava.
Enquanto o mercado apostava em crescimento da ordem de 0,3% em outubro, o indicador trouxe, de fato, uma retração de 0,26%. Com isso, acumula 0,09% de queda em 2014.
Lembrando que o IBC-Br é aquele índice peculiar, que quando sobe mostra “crescimento com força da economia”, mas quando cai, um mês depois, “não é uma medida do PIB”. Isso, na avaliação do mesmo interlocutor (o governo).
Na avaliação do mercado, a coisa é um pouco diferente...
Relatório Focus desta segunda-feira revisou novamente para baixo a projeção dos agentes para o PIB, agora em 0,16% de crescimento para 2014.
Se bem que o relatório Focus dessa semana ainda não conhecia a frustração com o IBC-Br...
Trocando em miúdos, 0,16% de crescimento ainda está puxado demais.
01:15- Troféu obviedade
A propósito, tem algo mais óbvio do que os relatórios Focus semanais (menos PIB, mais inflação) em 2014?
Quem sabe, a trinca Petro, PDG, Rossi na ponta negativa do Ibovespa?
Há ainda outras obviedades mais recentes, como comprar ações do Itaú a 9x lucros...

 De volta a 2008
Em apresentação para investidores, a Hering (HGTX3) afirmou que 2014 foi tão difícil quanto 2008.
A companhia alertou para um 2015 de estagnação do PIB e baixo crescimento do consumo, culminando em medidas de enxugamento de sua estrutura e desaceleração no ritmo de abertura de lojas.
O quadro geral de aversão a risco, deterioração do ambiente macroeconômico e desaceleração das vendas ao varejo não parece combinar muito com o prêmio embutido por grande parte das ações deste universo de consumo e varejo.
Salvas raríssimas exceções, como a própria Hering, que consegue pagar 7% de dividendos e negocia a 10x lucros, ainda há ações de consumo e varejo que não pagam dividendos e custam mais de 20x lucros no mercado atual, embutindo perspectivas de crescimento cada vez mais distantes...

A nova promessa da Petro
Outra companhia que anunciou enxugamento de estrutura foi a... Petrobras.
A estatal novamente frustrou o mercado e adiou mais uma vez a apresentação de seus balanços. Terceiro trimestre de 2014? Só em 2015, e sabe-se lá exatamente quando - e como... Com ou sem parecer dos auditores?
Sem balanço, sem parecer de auditores, e sem janela para captar dinheiro no mercado, se viu obrigada a reduzir o plano de investimentos, com a promessa de não ter de captar dinheiro no mercado em 2015 e fechar o ano com fluxo de caixa livre positivo.
Vejamos...
Se ela vai investir menos e paralisar projetos, isso terá um impacto inevitável sobre sua geração de caixa. Por si só isso já seria um agravante. Não bastasse, quem der uma olhada no histórico da empresa verá que fluxo de caixa positivo não tem sido o seu forte...
Desde o início de 2008, Petrobras conseguiu apurar fluxo de caixa líquido positivo em apenas 4 de 26 trimestres. Isso mesmo: nos últimos seis anos e meio (contando que temos dados só até metade de 2014), a estatal teve fluxo de caixa negativo em 84% dos trimestres.

A nova promessa da Petro surge com grande possbilidade de não ser cumprida.
Nada que não seja outra grande obviedade.

O Brasil x Argentina que importa
O sistema judiciário funciona muito mal na Argentina. É muito ligado aos partidos políticos, não tem independência. É um problema enorme. Os empresários também não se opuseram muito às primeiras medidas do governo. O problema é que o governo avança lentamente sobre a liberdade dos empresários. É tudo muito lento e gradual. Se você não reclama ao princípio, depois é tarde. Foi assim com Argentina e Venezuela.
Na Argentina não há mídia independente. Há somente um veículo, que é o Clarín, e nós da Inversor Global. O restante está comprado pelo governo e é alimentado pela publicidade estatal. Não podem falar mal do governo. Os presidentes da Venezuela e da Argentina têm apoio das pessoas, que não se dão conta do desastre que está ocorrendo.

Semelhanças?
O trecho acima é de uma entrevista que realizamos com Federico Tessore, fundador da consultoria argentina Inversor Global. Para ele, a Argentina é uma bomba difícil de desativar e Brasil corre menos riscos de imitar Venezuela do que os hermanos.

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