Sobre o crescimento econômico

Sobre o crescimento econômico
Se confirmadas as projeções de consenso para 2014, contidas no relatório Focus do Banco Central, o crescimento econômico da Era Dilma será de 1,6% na média anual, superior apenas aos governos Collor (com direito a impeachment) e Floriano Peixoto (quando, basicamente, o país estava em guerra).
O gráfico abaixo ilustra a pequena tragédia associada à evolução do PIB nos últimos quatro anos:

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Quando eu lancei a tese original, o crescimento projetado para 2014 era de 1,3%. Alertei para o otimismo das estimativas de consenso.
Pouco tempo depois, entramos em recessão técnica, com dois trimestres consecutivos de retração do PIB.
Hoje, a evolução esperada para 2014 é de apenas 0,2%.
A retórica oficial é de que esse crescimento pífio no governo Dilma decorre da crise internacional.
Essa argumentação não encontra nenhum respaldo nos dados, conforme fica claro pela comparação com nossos pares e com o resto do mundo.
Se estamos muito abaixo da média, a culpa só pode ser nossa mesmo, e não da média.
Abaixo, apresento projeções do FMI para 2014 e para 2015:

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Vale também observar gráfico recente constante em coluna de Cristiano Romero, do jornal Valor Econômico:

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Fica claro, portanto, nossa defasagem em relação ao mundo, aos mercado semergentes e a nossos vizinhos. A crise não vem de fora. Ela é resultado da desastrosa nova matriz econômica.
Para piorar, se a dinâmica do primeiro mandato Dilma foi ruim, projeto um 2015 ainda mais problemático.
Minha estimativa anterior apontava crescimento de 0,3%. Com o escândalo do Petrolão, a possibilidade de redução dos investimentos da Petrobras e os desdobramentos dos últimos meses, já antevejo queda do PIB de 0,5%. Um ano inteiro com decréscimo da renda e da produção.
É a nova matriz econômica intensificando suas consequências. Sem o devido preparo, o cidadão comum vai pagar a conta.

2 – A inflação tem sido persistentemente alta e acima do centro da meta
Na versão primeira do Fim do Brasil, critiquei o comportamento sistemático da inflação próxima ao teto da meta, de 6,50% ao ano. Apontei também a necessidade de liberar preços defasados, de combustíveis, energia e tarifas públicas. E alertei para a perspectiva de subida da taxa de juro, diante das pressões inflacionárias.
Parte dos argumentos já foi confirmado. Tivemos aumento dos combustíveis, tarifas de energia subiram até 40% e a Selic foi recalibrada para cima, antes do esperado pela maioria dos economistas.
O quadro da inflação, em si, piorou.
Não somente convivemos com o limite superior do intervalo do sistema de metas, como superamos o teto da banda em 12 meses, conforme mostra o gráfico abaixo com o último dado disponível (IPCA de outubro):

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A aceitação de uma inflação acima do teto da meta, mesmo não sendo no ano fechado, é péssima para a credibilidade do Banco Central.
Isso implica um esforço monetário maior para fazer a inflação convergir ao desejado agora. Em outras palavras, como todos sabem da benevolência do Copom com a subida de preços, teremos de subir muito mais a Selic para que haja, de fato, controle de inflação.
Um Banco Central austero e com credibilidade controla muito mais facilmente as expectativas e a própria inflação corrente. Infelizmente, não é nosso caso.
Dada a disparada recente do dólar e a provável escalada adicional do câmbio nos próximos meses, as pressões inflacionárias aumentam. Os produtos importados ficam mais caros e, aos poucos, através do chamado repasse cambial, vão contaminando o resto.
Seguiremos com juros em alta e inflação acima do centro da meta. Má notícia para o País, que precisa da estabilidade econômica para voltar a crescer.
Felipe Miranda - Empiricus

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