Riscos estão subdimensionados hoje

Riscos estão subdimensionados hoje


As coisas podem ficar realmente complicadas.
Caso não haja uma alteração imediata e profunda da política econômica, retomaremos condições vistas somente antes de 1994. Desemprego algo, arrocho salarial, inflação em disparada e, até mesmo, congelamento de preços.
Veja que este governo já adota medida de controle de preços, impedindo aumentos de tarifas de energia, de combustíveis e de energia. Se pode fazê-lo em nível microeconômico, em determinados setores, por que não o faria em âmbito macro caso as coisas fiquem mais difíceis.
Esse é o caminho natural e devidamente documentado daqueles que optam pela via da tolerância à inflação e do gasto público irresponsável.
Não precisamos ir muito longe. Ao nosso lado, temos as referências trágicas de Venezuela e Argentina, que sucumbem ao caos econômico, financeiro e social por conta de medidas inadequadas de política econômica.
Mais do que isso, não precisamos sequer cruzar as fronteiras, basta recorrer ao nosso próprio passado. Anteriormente ao Plano Real, a desconfiança com nossa moeda era tal que o poder de compra do trabalhador caia pela metade durante um único mês e o empresário não pensava em investir, sem visibilidade para o futuro, com um novo plano econômico por ano.
Entre 1990 e 1994, o crescimento médio do PIB foi de 1,3% ao ano, enquanto a inflação anual foi de 1.210%. Isso depois de já termos vindo da famosa Década Perdida. Do período de 1986 a 1991, tivemos cinco choques (Plano Cruzado, Bresser, Verão, Collor I e Collor II).
Não há como existir consumo nem investimento em ambiente de tamanha desconfiança sobre a moeda e incerteza sobre o futuro.
Foram várias tentativas de congelamento e tabelamento de preços, com resultados trágicos. A qualidade dos produtos era péssima e vendiam-se, inclusive, latas vazias nas prateleiras dos supermercados – era o melhor que se podia oferecer àquele preço tabelado.
Problemas de abastecimento e falta de produtos eram recorrentes, o que obviamente resultava, ao final, na ruptura com os congelamentos de preços. Dá-lhe volta da inflação, que ultrapassava 80% ao mês.
A imagem abaixo é representativa do tamanho do problema. Simplesmente, faltavam produtos nas prateleiras:

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Talvez o ponto máximo da adversidade seja a restrição do acesso à poupança por meio do Plano Collor.
Lançado no mesmo dia da posse do presidente Collor, o novo plano reintroduziu o cruzeiro como padrão monetário e estabeleceu, mais uma vez, congelamento do preço de bens e serviços. Novos tributos foram criados, afetando ainda mais o poder de compra e a confiança dos empresários.
Mas foi no âmbito financeiro que se deu a maior mudança: o sequestro de liquidez. Sem dúvida, foi a medida mais traumática. Todas as aplicações financeiras superiores a NCr$ 50.000 foram bloqueadas por um período de 18 meses.
O cidadão simplesmente não poderia acessar seu próprio dinheiro. O Plano colocou a economia em recessão e não foi capaz de conter a inflação de forma sustentada.
Tenho uma experiência pessoal marcante e extremamente negativa nesse sentido. Às vésperas do Plano Collor, meu pai havia comprado um apartamento. Comprometia-se a pagar as parcelas restantes nos meses seguintes. O acesso ao dinheiro foi bloqueado e simplesmente perdemos o apartamento. Nossa família precisou de anos para se recuperar do golpe.
Não há nada mais assustador do que ter seu dinheiro bloqueado. Governos desesperados tomam medidas desesperadas.
Talvez você resista à ideia, mas já há uma série de notícias apontando o caminho que estamos seguindo. Elas estão apenas subdimensionadas por enquanto.
Veja por si mesmo algumas manchetes.
Da Folha, em 14 de abril de 2014:
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Do Globo, em 31 de outubro de 2014:
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Da Reuters, em 24 de novembro de 2014:
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Do Estadão, em 23 de outubro de 2014:
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Do portal G1, em 14 de novembro de 20114:
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De fato, não estou sozinho


Evidentemente, não sou o único a tecer alertas e preocupações com o Brasil.
Os grandes experts têm adotado discurso bastante pessimista também. Inclusive, muitos já têm agido e se posicionado para capturar esse quadro – o que eu estou lhe propondo aqui é somente a oportunidade de que você possa fazer o mesmo para proteger e até mesmo aumentar seu patrimônio.
Luis Stuhlberger, o mais brilhante dos gestores brasileiros, escreveu em sua carta aos cotistas de outubro:

“Achamos que a situação da economia brasileira é bem mais frágil do que aquela sugerida hoje pelos preços dos ativos. 
Passamos praticamente todo o ano de 2014 comprando seguros para a piora expressiva da economia brasileira e a consequente queda no preço de seus ativos financeiros. (…)
Os motivos pelos quais tais seguros não estão sendo acionados são os seguintes: o cenário internacional e a extrema complacência dos investidores, especialmente os estrangeiros, com o Brasil. (…)
É um pensamento esperançoso incrível.”

Jim Chanos, um dos maiores investidores do mundo, recentemente relatou estar vendido em ações da Petrobras, apostando contra os papéis porque a empresa existe para servir o Estado – e não para dar lucro.
O economista Eduardo Giannetti afirmou, para o caso de Dilma não alterar sua política e dobrar a aposta na nova matriz econômica:
“Aí, meus caros, apertem os cintos. Vamos enveredar para uma crise financeira logo no inicio do segundo mandato, porque o mercado financeiro vai perceber rapidamente que o Brasil não se sustenta. Eu realmente temo que essa possibilidade aconteça.”
Outra frase interessante foi dita por Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central e sócio-diretor da Tendências Consultoria:
“Se tomarmos o caminho errado (não acabar com a nova matriz econômica), o Brasil corre um sério risco de jogar fora tudo que foi construído desde os anos 90, deixando o país mais vulnerável a crises externas.”
Alexandre Schwartsman, ex-economista chefe do Banco Santander e ex-diretor do Banco Central, escreveu em artigo do dia 12 de novembro:
“O governo não terá, portanto, o benefício da dúvida. Pelo contrário, terá que apertar muito para convencer o distinto público de sua firmeza de intenções, o que destruiria até as perspectivas de crescimento pífio de 1% em 2015, hoje consensuais, com reflexos negativos sobre o desemprego. Desconfio, e estou longe de estar sozinho, que a presidente não há de apreciar sua única conquista econômica se esfumaçando no rastro do ajuste fiscal, mesmo necessário.
A conta da campanha chegou e duvido que o governo esteja disposto a pagá-la.”
Há, porém, um caráter novo e exclusivo de minha tese sobre O Fim do Brasil – e é por isso que ela recebe este nome.
Enquanto a maior parte dos economistas ortodoxos projeta um cenário de mediocridade atroz para o segundo mandato, basicamente com continuidade das condições ou apenas leve recrudescimento dos fundamentos, eu antevejo uma ruptura, com uma catálise proveniente de algum cisne negro.
Explico…
A Empiricus apoia-se fundamentalmente na filosofia de Nassim Taleb. Ele é, entre outras coisas, autor do livro Black Swan, que mostra como a história vai sendo definida basicamente pelos tais cisnes negros, eventos considerados raros, de alto impacto e imprevisíveis.
É exatamente a possibilidade de ocorrência de um cisne negro – sim, eles ocorrem – que transformaria essa mediocridade atroz em verdadeira tragédia e ruptura.
“Ah, mas não pode haver um cisne negro positivo?”
Pode, claro. Mas quando você está frágil, você não captura seus efeitos. Para gostar da volatilidade, dos choques, do desconhecido, precisaríamos ser antifrágeis.
Em termos macro, isso significaria ter uma dinâmica cadente da dívida, inflação baixa, contas públicas em ordem e superávit em conta corrente. No âmbito micro, incentivo à competição e à inovação.
Ou seja, é exatamente o oposto de nosso capitalismo de compadres.
Estamos muito sensíveis a um cisne negro negativo.
Por definição, não posso precisar qual será o black swan de 2015, pois eles são imprevisíveis.
Mas já enxergo cisnes cinzas – a diferença entre os cinzas e os negros é justamente que os primeiros são previsíveis. Entre eles, cito a provável interrupção dessa intensidade de fluxo a mercados emergentes a partir da subida dos juros nos EUA, a desaceleração da economia chinesa, o retorno da crise econômica à periferia europeia, a queda das commodities e o Petrolão.
Ainda teremos de lidar com os unknown unknowns de Donald Rumsfeld – aquilo que nem sequer não sabemos que não sabemos.
De todo modo, o fato é que, com ou sem cisne negro, a lista de grandes investidores históricos ficando pessimistas com o Brasil é grande.
Os maiores experts estão agindo antecipadamente. Eles sabem que há sérios problemas com a economia nacional.
A boa notícia é que você pode fazer o mesmo.
Não importa o que aconteça, eu tenho uma série de maneiras para você proteger seu patrimônio – e seguindo cada um dos passos você pode duplicar ou até mesmo triplicar sua poupança nos próximos anos.
O que você deve fazer?
Bem, tenho dedicado minha pesquisa somente a isso nos últimos meses. Encontrei um número surpreendente de coisas simples que você pode fazer para blindar seu dinheiro e até mesmo encher um pouco mais o bolso quando essa crise estourar.


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