Comentário Semanal


Geração Futuro e Brasil PluralComentário Semanal
17.11.2014
No cenário internacional, a economia chinesa mostrou sinais adicionais de desaceleração com as vendas no varejo de outubro mostrando o crescimento mais fraco desde 2006 e a produção industrial do mesmo mês no ritmo mais lento desde a crise financeira global. Na zona do euro, a leitura preliminar do PIB do terceiro trimestre apontou crescimento um pouco melhor que o esperado, em 0,2% em relação ao trimestre anterior, para quando o crescimento também foi revisado para 0,1% (ante 0,0%).

No Brasil, a 1ª prévia para o IGP-M de novembro veio em 0,51% (3,18%em 12 meses), abaixo das expectativas de Mercado (0,55%). Em uma base de comparação mensal, o índice desacelerou em relação a outubro (-0,07%), liderado pela inflação dos preços agropecuários (de -0,23% em outubro para 2,12%), puxado por soja em grão, bovinos, milho, entre outros. A inflação dos preços industriais no atacado aumentou (de -0,24% em outubro para +0,11%), com bens intermediários relacionados ao setor de manufaturas desempenhando um papel importante e a inflação do preço do minério de ferro ainda correndo em território negativo (de -5,38% em outubro para -4,72%). O índice de preços ao consumidor teve alta de 0,29% em novembro (6,43% em 12 meses), de 0,20% no mês anterior. O índice nacional de custo de construção subiu 0,15% (6,54% em 12 meses), de 0,09% em outubro. Nós esperamos que o índice feche 2014 acumulando inflação de 3,2%, próximo ao ritmo anual atual.

As notícias vindas do mercado de trabalho na última semana foram preocupantes. O número de postos formais de trabalho caiu em 30 mil, contra o previsto pelo consenso de mercado de uma alta de 55 mil (nossa previsão, abaixo do consenso era de 43 mil). Esta é a primeira vez que temos uma leitura negativa para outubro, e nosso número com ajuste sazonal é -78 mil (os números sazonalmente ajustados variam substancialmente entre os analistas, mas todos são negativos). Estes dados parecem confirmar a evidência anedótica de que os empresários estavam esperando as eleições para decidir sobre contratações. Sendo esse o caso, os números de novembro também podem ser fracos. Olhando por setor, as perdas foram generalizadas, mas mais intensas na indústria de transformação e construção civil. Até mesmo o setor de serviços sofreu, com queda nas contratações líquidas de 32 mil para 2mil entre outubro de 2013 e outubro 2014 (que foi o pior mês da história para o setor na série com ajuste sazonal). Estimamos que o CAGED neutro (ou seja, a proporção de criação líquida de empregos necessária para manter o desemprego inalterado) é 63 mil (média móvel de 12 meses). Com a atual média móvel de 12 meses em 25 mil, esperamos que o desemprego aumente, em uma base ajustada sazonalmente, daqui para frente. Esta publicação do CAGED, e as suas implicações para o desemprego complicam ainda mais o quadro para o Banco Central, uma vez que compensam, pelo menos em parte, os efeitos inflacionários da desvalorização da moeda.

As vendas no varejo no sentido ampliado aumentaram 0,5% face ao mês anterior em setembro, abaixo da nossa expectativa (0,9%), mas acima do consenso de mercado (0,3%). As vendas caíram 1,2% face ao ano anterior, uma queda mais suave do que a observada em agosto (-6,7%). As vendas no varejo no conceito restrito (que excluem veículos e materiais de construção vendas) aumentaram 0,4% em relação ao mês anterior (0,5% face ao ano anterior), em setembro, de 1,2% em relação ao mês anterior em agosto (-1,0% face ao ano anterior). Os números de vendas no varejo para setembro trouxeram sinais mistos. Em primeiro lugar, os bons: esta foi a primeira vez em 2014 em que observamos dois ganhos mensais consecutivos nas vendas no varejo restrito, e as quedas anuais das vendas no varejo ampliado reduziram substancialmente, com melhoras generalizadas. Por outro lado, o varejo ampliado permanece longe de recuperar dos declínios observados ao longo do ano (ele está de fato muito próximos aos níveis de meados de 2012), levantando preocupações sobre a sustentabilidade deste ganho de momentum em um ambiente de enfraquecimento do mercado de trabalho e de baixa confiança dos consumidores. Nossa previsão para o IBC-Br de setembro (proxy mensal do Banco Central para o PIB), que será divulgado na segunda-feira, é de +0,7% face ao ano anterior e +0,3% face ao mês anterior, elevando o ganho no terceiro trimestre para 0,6% no comparativo trimestral, acima do nosso call preliminar para o PIB do terceiro trimestre, que é de uma queda de 0,2%.

Nesta semana também, o governo apresentou um projeto para alterar a LDO de 2014, aumentando o montante de deduções da meta de superávit primário para incluir todas as desonerações tributárias e os investimentos do PAC. Atualmente, ele pode descontar apenas R$ 67 bilhões. Com a nova medida, o governo será capaz de entregar um superávit primário próximo de zero.

Nos mercados, o dólar terminou a última sexta-feira cotado a R$2,60, o que representou perda de 1,6% para a moeda brasileira em relação à semana anterior. A curva de juros se deslocou para cima e perdeu um pouco de inclinação: enquanto contrato para janeiro de 2016 alta de 0,14 pp para 12,53%, o de janeiro de 2018 subiu 0,10 pp para 12,78%. O Ibovespa fechou a sexta-feira em 51.772 pontos, uma perda de 2,7% em relação à semana anterior, reduzindo a alta no ano para 0,5%.

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