Comentário Semanal


Geração Futuro e Brasil Plural
No cenário internacional, a semana trouxe a ata da última reunião do Fomc – a ata mostrou que o otimismo com a recuperação da economia levou o comitê a interromper o programa de compra de ativos, mas que riscos à recuperação ainda persistem, em especial provenientes de uma performance fraca das outras importantes economias, em especial a Europa, China e Japão. De fato, o PMI composto da zona do euro (índice com boa correlação com o PIB do bloco) divulgado essa semana mostrou queda acentuada, trazendo o indicador ao nível mais baixo em mais de um ano. E a prévia do PMI Chinês de manufaturas em novembro, calculado pelo HSBC, caiu para o menor patamar em seis meses.

No Brasil, a semana trouxe importantes dados tanto sobre a atividade econômica quanto inflação. No geral, os dados de atividade surpreenderam positivamente, enquanto a inflação ao consumidor deu sinais de arrefecimento e a inflação no atacado mostrou força. O tema doméstico central, entretanto, segue sendo a especulação em torno da nomeação da nova equipe econômica. Na última sexta-feira, diversos jornais apontavam que o provável novo ministro da Fazenda será o ex-secretário do Tesouro e atual diretor do Bradesco Asset Management Joaquim Levy, que Nelson Barbosa teria sido convidado para a pasta de Planejamento, e que Alexandre Tombini continuaria comandando o BC. Nada foi oficialmente anunciado, mas os mercados aprovaram os nomes, levando a forte valorização do real, queda dos juros futuros e alta na bolsa, em especial no último dia da semana.

Na segunda-feira, o IBC-Br, a proxy mensal do BC para o PIB, aumentou 0,40% face ao mês anterior (+0,92% no comparativo anual) em setembro, um pouco acima da nossa projeção (0,30% face ao mês anterior) e acima das expectativas de mercado (0,16% face ao mês anterior). O ganho em setembro foi o terceiro ganho consecutivo e trouxe o crescimento trimestral para 0,6% face ao trimestre anterior, acima da nossa expectativa para o PIB do terceiro trimestre, de 0,0% no comparativo trimestral. O efeito carry-over para o ano fica em 0,1%.

Ainda no campo da atividade, soubemos que a taxa de desemprego atingiu 4,7% em outubro (sem ajuste sazonal), de 5,2% em outubro de 2013. De acordo com o nosso ajuste sazonal, o desemprego caiu outros 0,1 p.p. para 4,7%, e voltou para perto de seu mínimo histórico em junho (4,6%). Mais uma vez, em outubro, a queda na taxa de desemprego em relação ao mesmo mês de 2013 foi resultado da força de trabalho em declínio, apesar do fraco desempenho dos números da população empregada - a força de trabalho caiu 0,5% face ao ano anterior, contra um emprego estável em relação ao mesmo mês de 2013. Na margem, a redução da taxa de desemprego resultou de um aumento saudável do emprego com uma taxa mais elevada da força de trabalho (+ 0,4% face ao mês anterior vs. + 0,2% face ao mês anterior, ambos com ajuste sazonal). Enquanto isso, a massa salarial real ganhou impulso, registrando um aumento de 3,8% face ao ano anterior de 1,5% no terceiro trimestre. Apesar da queda em outubro, acreditamos que a taxa de desemprego ajustada sazonalmente tende a subir nos próximos trimestres conforme 1) a redução da força de trabalho é insustentável a médio e longo prazo; 2) de acordo com a atividade econômica morna, os dados do Caged têm dado claros sinais de extenuação.

Destacamos também o índice de confiança da indústria, que subiu 3,9%, para 85,8 de acordo com a prévia de novembro da FGV, o segundo ganho consecutivo em relação ao mês anterior. Em setembro, a confiança havia atingido o nível mais baixo desde abril de 2009, e apesar dos ganhos em outubro e novembro, ela permanece em um nível historicamente baixo (18% abaixo da média entre 2005 e 2013). Além disso, o índice está em níveis inferiores a 100 há 16 meses consecutivos, ou seja, no campo pessimista. O aumento no mês foi liderado pelo componente da situação atual (+8,8% face ao mês anterior, o maior ganho desde setembro de 2003), enquanto o índice de expectativas caiu 0,7% em relação ao mês anterior (após um aumento de 4,9% em outubro). O nível de utilização da capacidade instalada registrou alta de 1.0 p.p. para 83,0%, desfazendo a queda da mesma magnitude ocorrida no mês anterior, e trazendo a taxa de volta aos 0,8 p.p. abaixo da média de 2005-2013. Embora os números de confiança e utilização da capacidade ainda apontem para um desempenho abaixo da média do setor industrial, eles foram positivos e sugerem que pode haver alguma recuperação no curto prazo. O IPCA-15 subiu 0,38% em novembro, abaixo da nossa projeção (0,50%) e da expectativa de mercado (0,49%). A inflação em 12 meses atingiu 6,42%, abaixo dos 6,62% relativos ao mês de outubro, assim retornando para o intervalo da meta (4,5% + -2pps). Comparado ao nosso call, a principal surpresa para baixo veio dos voláteis preços de passagens aéreas, que caíram 2,4% em relação ao mês anterior, enquanto esperávamos um aumento de 8,5%. A média das medidas de núcleo (dupla ponderação, exclusão e médias aparadas com suavização) foi de 0,35% na comparação com o mês anterior, e caiu para 6,4% face ao ano anterior, de 6,6% em outubro. A inflação de serviços foi de 0,38% e está em 8,3% em 12 meses (vindo de 8,6% em setembro). O IPCA-15 mostrou uma melhora marginal na dinâmica da inflação, com, apesar de elevadas, inflações de serviços e medidas de núcleo em queda, conforme a atividade econômica enfraquece. O nosso call preliminar para o IPCA de novembro é de 0,60% (6,65% no comparativo anual). Nós vemos a inflação fechando 2014 na faixa de 6,4% a 6,5%, um pouco abaixo do teto da meta. Em 2015, esperamos que o IPCA varie 6,7%.

Tivemos nessa semana também o IGP-10 de novembro, que veio em 0,82% (3,32% em 12 meses), acima das expectativas de mercado (0,75%). Em uma base de comparação mensal, o índice acelerou em relação a outubro (0,02%), liderado pela inflação dos preços agrícolas (de 0,03% em outubro para 2,83%), movido pela soja em grão (de -5,04% para 3,69%), bovinos (de 2,86% para 4,44%), milho em grão (de -1,54% para 7,42%), entre outros. A inflação dos preços industriais no atacado também aumentou (de -0,23% em outubro para +0,41%), com os bens intermediários relacionados ao setor de manufaturas (de -0,62% para 1,28%) desempenhando um papel importante, e a inflação do preço do minério de ferro ainda correndo em território negativo (de -5,27% em outubro para -4,57%). O índice de preços ao consumidor apresentou alta de 0,43% em novembro (6,60% em 12 meses), de 0,48% no mês anterior. O índice nacional de custo da construção subiu 0,16% (6,50% em 12 meses), vindo de 0,14% em outubro.

Por último, destacamos a revisão do orçamento de 2014, onde o governo finalmente reconheceu a impossibilidade de atingir a meta de superávit primário de 1,9% do PIB. A meta para o superávit primário do governo central foi revista para R$ 10,1 bilhões (0,2% do PIB), que considerando um superávit primário de 0,1% dos governos regionais implicaria em um superávit primário do setor público de 0,3% do PIB - o menor resultado na série histórica do BC desde 2002. O governo já está considerando que o projeto de lei que altera a LDO 2014 será aprovado. Observamos também que o governo ainda conta com R$ 3,0 bilhões da extensão do programa Refis e R$ 3,5 bilhões do Fundo Soberano.

Nos mercados, o dólar terminou a última sexta-feira cotado a R$2,52, o que representou ganho de 3,4% para a moeda brasileira em relação à semana anterior. A curva de juros se deslocou para baixo e perdeu inclinação: enquanto contrato para janeiro de 2016 teve queda de 0,20 p.p. para 12,33%, o de janeiro de 2018 caiu 0,61 p.p. para 12,17%. O Ibovespa fechou a sexta-feira em 56.084 pontos, um ganho de 8,3% em relação à semana anterior, ampliando a alta no ano para 8,3%.

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