Até onde vai a alta do dólar!


 Será que vou morrer de dor?
 Eu gosto do pessoal da Lasa
 Oi, tudo bem mesmo?
 O que é isso, meu amor?
 Quem não tem dólar é Lóki


 Será que vou morrer de dor?

Venho me apegando aos meus sonhos e à minha velha motocicleta. Venho me apegando ao passado e em ter você ao meu lado.
Saudades do tempo em que ainda acreditava em honestidade intelectual dos acadêmicos, comprava ações de telecom e elogiava ambiciosos planos de expansão.
Explico, um por um - não necessariamente nessa mesma ordem.
Será que vou morrer de dor?

 Eu gosto do pessoal da Lasa

Ações de Lojas Americanas estão entre as principais altas do Ibovespa nesta quinta-feira. A empresa, de fato, apresentou um bom resultado, um pouco acima das projeções - merecia mesmo uma recepção positiva...
...mas desta magnitude?
Talvez mais relevante do que o resultado seja o arrojado plano de expansão traçado para os próximos cinco anos: R$ 4 bi de investimento, para abrir 800 lojas.
Adição de componente de crescimento para justificar o preço (caro) da ação, que negocia a 30x lucros (preço/lucro), sinal de confiança na operação?
Essa parece ser a interpretação.
No creo.

Planos de expansão dessa proporção aumentam em excesso a complexidade operacional, estão suscetíveis a surpresas adversas no meio do caminho, subestimam prováveis soluços (ou turbeculoses) macroeconômicas e eventuais restrições de crédito.
Serve a máxima talebiana: too big will fail - claro, guardadas as devidas proporções. Não é que vai falir, mas eu não topo pagar por antecedência por esse sucesso. São incontáveis os casos de aumento de complexidade operacional com a devida cobrança do preço, mesmo dentro de consumo e varejo, como Hering e Restoque.

Gosto do corpo executivo e da operação de Lojas Americanas, mas neste preço não me convence.



 Oi, tudo bem mesmo?


Outra alta destacada é dos papéis da Oi (OIBR4). Francamente... olharam mesmo o resultado da empresa?
Ok, pode parecer barato e há gatilhos maiores no momento, ligados à consolidação.
Mas papai me ensinou, décadas atrás: “não tente pegar uma faca caindo.”
Os resultados mostraram queda das linhas, da primeira à última. Receita líquida caiu 4,5%, geração de caixa bruta (ebitda) de rotina recuou 16% e lucro líquido marcou a expressiva cifra de R$ 8 milhões. Dívida líquida de nada menos do que R$ 47,8 bilhões, para um ebitda em nove meses de R$ 9,4 bilhões...
A conta não fecha. Simples assim.

“Ah, mas vai vender ativos portugueses e colocar a TIM pra dentro, diminuindo vigorosamente a alavancagem”, você pode pensar...
Pode até ser, mas não houve um movimento de consolidação em telecom até hoje com benefícios aos minoritários. Um.

Prudência e dinheiro no bolso, canja de galinha não faz mal a ninguém.
Sabe como é, ainda sou cético. Desde aquelas GloboNabo, as famigeradas PLIM4, ainda não me recuperei.


 O que é isso, meu amor?

Perdi dinheiro e esperança com as teles. Mas, com a Academia, perdi algo maior: um pedaço da alma.
Por um tempo, acreditei no debate honesto, como se as pesquisas destinassem-se, não a provar convicções ideológicas ou a agraciar egos, mas, sim, a testar hipóteses nulas e alternativas.
Para toda tese, opor-se-ia uma antítese. Do embate, surgiria uma síntese, que viraria tese no período subsequente, criando um ciclo virtuoso em favor do avanço científico. À prática, bastaria aplicar as descobertas da teoria.
Tá...
Há tempos, porém, não vejo um debate sério no Brasil. Como se repetíssemos o nós contra eles da campanha eleitoral para presidente, os economistas desenvolvimentistas acusam os ortodoxos de desprezar a inclusão social no Brasil.  Como se houvesse os economistas do bem, preocupados com os pobres, e os economistas do mal, ávidos por atender aos interesses do setor financeiro.
Esse debate é contraproducente.
Em resposta, hoje escrevemos o Manifesto pelo debate econômico sério - somente a partir de uma discussão honesta e profunda poderemos encontrar o caminho apropriado para o desenvolvimento com inclusão social. Fica o convite para ler e assinar o Manifesto.
Agradeço o engajamento até aqui - em poucas horas, já tivemos duas mil assinaturas.


 Quem não tem dólar é Lóki

Voltando à Pindorama...
Enquanto o Governo se nega a desenhar os ajustes críveis para a economia brasileira em 2015 (como, quando e em que intensidade), o mercado vai se encarregando de fazer, por si, as correções.

O dólar ronda sua maior marca desde 2005, a R$ 2,575, subindo mais 0,4% agora. A indefinição sobre o futuro da política econômica, combinada ao ganho do dólar contra as principais moedas globais, empurra o câmbio para cima.
Vai mais?

Vejamos: de um lado, recessão técnica, inflação alta, déficit nominal de 5% do PIB, déficit em transações correntes de 4% do PIB; de outro, prognóstico de restrição da liquidez global a partir de 2015 com subida do juro nos EUA e recuperação da economia norte-americana.
O que você acha?
Lá vamos nós rumo aos R$ 3,00.

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