Telefónica interfere na aliança TIM-GVT


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A Telefónica fez ontem um movimento defensivo ao apresentar a proposta não solicitada de R$ 20,1 bilhões para adquirir a GVT, que pertence ao grupo francês Vivendi. O Valor apurou que o grupo espanhol reagiu ao descobrir que as cúpulas de Telecom Italia e Vivendi estão avançadas na definição de parceria estratégica que pode ir além das fronteiras do Brasil. O negócio promoveria a fusão entre TIM e GVT no mercado brasileiro e tornaria a Vivendi a principal acionista de referência da Telecom Italia, em substituição à Telefónica, que hoje detém 8,3% da operadora, mas está de saída do negócio. Uma operação, portanto, que traria impacto ao mercado europeu.
Diante dessa perspectiva, não se pode apostar que a Vivendi aceitará a oferta da Telefónica. A empresa francesa deixou claro em nota que a GVT não está à venda e prometeu analisar o assunto após as férias de verão.

Para a Telefónica, a aquisição permite perseguir sua meta de crescer no Brasil, o país que garante maior receita ao grupo. Além disso, a compra fortaleceria os espanhóis para enfrentar o concorrente mexicano de fôlego no país, o grupo América Móvil, formado pela Claro, Embratel e Net Serviços. A união das duas operadoras criaria uma empresa com 102,3 milhões de conexões de telefonia fixa e móvel, banda larga e TV por assinatura. A América Móvil detém 103,3 milhões, a Oi 74,6 milhões e TIM 74,2 milhões. Haveria, também, forte concentração de mercado nos serviços de banda larga e telefonia fixa em São Paulo.
A oferta da Telefónica foi mal recebida no mercado e o setor liderou ontem as quedas do Ibovespa. A TIM foi a mais afetada. Seus investidores se frustraram porque contavam com a oferta da Vivendi para compra da empresa e a extensão do prêmio de controle aos minoritários.
A Vivendi enfrenta processos em decorrência da disputada aquisição da GVT, em 2009, um deles movido na Justiça pela própria Telefónica.

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