Marina avança e acirra a disputa pela Presidência


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A pesquisa Ibope divulgada ontem à noite mostra um novo cenário na corrida eleitoral para a Presidência da República. Apenas duas semanas após a morte trágica do candidato Eduardo Campos, sua substituta, Marina Silva (PSB), já tem 29% das intenções de voto e supera Aécio Neves (PSDB) por dez pontos percentuais. Se as eleições fossem agora, Marina ainda teria menos votos que a presidente Dilma Rousseff (34%) no primeiro turno, mas em um eventual segundo turno entre as duas candidatas venceria por 45% a 36% do total dos votos.
Desde 1994, esta é a primeira vez que um candidato do PSDB pode ficar de fora dos dois primeiros lugares. Fernando Henrique venceu no primeiro turno nas eleições de 1994 e 1998, José Serra disputou e perdeu o segundo turno em 2002 e 2010, assim como Geraldo Alckmin, em 2006.

Sob o impacto do turbilhão Marina, o conselho da campanha de Dilma volta a se reunir hoje, no Palácio da Alvorada. Os aliados da presidente falam em "calma" e pedem "tempo para a poeira baixar". Nos bastidores, porém, não escondem o receio de que a "onda Marina" se confirme nas urnas. O "Volta Lula" pode ganhar força, caso ela mantenha o fôlego nas pesquisas.O avanço de Marina foi bem recebido pelo mercado financeiro. Com os rumores sobre a pesquisa, a BMF&Bovespa teve alta de 2,27% na segunda-feira e ontem o Índice Bovespa chegou a ultrapassar os 60 mil pontos - fechou em 59.821. Entre os empresários, no entanto, a preferência continua sendo por Aécio Neves. Ele teve 67,6% dos votos em enquete realizada pelo Valor, durante a entrega do prêmio "Valor 1000". Dilma teve 14,4% e Marina, 12,7%. Em um eventual segundo turno, considerados os votos desses empresários, Dilma perderia por larga margem, tanto para Aécio quanto para Marina.

Ontem à noite, antes do debate entre os candidatos na TV Bandeirantes, lideranças do PT e do PSDB afirmaram que não houve surpresa com o resultado da pesquisa Ibope, que atribuíram à comoção provocada pela morte de Campos. Roberto Amaral, presidente do PSB, disse que também não se surpreendeu. "É o mesmo patamar que Marina tinha nas pesquisas do começo do ano".

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