Risco soberano vai exigir mais capital dos bancos


Exclusivo para assinantesPara ler a matéria completa faça seu login ou cadastre-se
A classificação dos títulos de dívida dos governos como automaticamente livres de risco pode estar com os dias contados, o que deverá forçar os bancos a levantar bilhões de dólares em capital extra no futuro. O Valor apurou que o Comitê de Basileia de Supervisão Bancária começou a examinar o tratamento regulatório dado a esses títulos, conhecidos como "soberanos".
As regras do Comitê, atualmente, permitem aos bancos considerar risco zero para títulos que compram dos governos. Isso é um poderoso instrumentos para as instituições aumentarem a compra desses papéis. A crise financeira na Europa, porém, colocou em xeque essa avaliação, quando a Grécia declarou moratória de sua dívida. A partir daí, muitos investidores passaram a tratar vários títulos emitidos por governos europeus com diferentes graus de risco.

O Banco de Compensações Internacionais (BIS), espécie de banco dos bancos centrais, apontou em relatório dúvidas sobre o sistema de gestão de risco dos bancos e sua saúde financeira. Ainda não há uma proposta formal no Comitê de Basileia. Uma fonte próxima às discussões disse que é cedo para concluir que os bancos que compram títulos públicos terão de aumentar seu capital. Desde a crise financeira, instituições europeias elevaram em 50% a compra de títulos emitidos por seus governos, totalizando cerca de € 2 trilhões atualmente.A ideia é reduzir a flexibilidade que os bancos têm hoje para medir o grau de risco de seus próprios ativos, que determina quanto capital próprio eles necessitam para absorver prejuízos futuros. Danièle Nouy, presidente do conselho de supervisão do mecanismo único de supervisão do Banco Central Europeu (BCE), disse que uma das lições da atual crise é que não há ativos livres de risco. "Os títulos soberanos não são livres de riscos e temos que reagir". Para ela, é necessário limitar a exposição dos bancos para que "não coloquem todos os ovos na mesma cesta".

.