Confiança no setor cai pelo sétimo mês


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A forte piora da avaliação dos empresários industriais sobre o momento atual aponta que a produção física do setor começou o segundo semestre em queda, enquanto as expectativas pouco otimistas para os próximos seis meses descartam uma recuperação da indústria de transformação até o fim do ano. Divulgado ontem pela Fundação Getulio Vargas (FGV), o Índice de Confiança da Indústria (ICI) marcou seu sétimo mês seguido de recuo em julho, ao diminuir 3,2% sobre junho, para 84,4 pontos, feitos os ajustes sazonais.
Segundo o superintendente adjunto de ciclos econômicos da FGV, Aloísio Campelo, a confiança do empresariado continua em patamares "extremamente baixos" e compatíveis com os três períodos em que a economia brasileira entrou em recessão. Embora esta não seja a situação econômica no momento, Campelo afirma que a indústria está descolada dos outros ramos da economia e prevê que a produção do setor manufatureiro deve cair entre 2,5% e 3% em 2014.
O resultado negativo deste mês foi determinado principalmente pelo Índice de Situação Atual (ISA), que cedeu 4,8% na passagem mensal, para 85,8 pontos. Dentro deste indicador, houve deterioração relevante do sentimento dos empresários sobre a demanda interna: o percentual dos que a consideram fraca aumentou de 23,2% para 28,4%. Junto a essa sinalização, a queda do Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci), de 83,5% para 83,2%, indica que a produção industrial deve encolher novamente em julho, de acordo com o superintendente.
Outro dado que aponta para continuidade da tendência de fraqueza da produção é o indicador de estoques, que avançou 1,6% na passagem mensal, para 110,3 pontos. Na metodologia da FGV, isso significa que o percentual de empresas que considera seu nível de estoques como excessivo superou em 10,3 pontos a fatia daquelas que o classifica como insuficiente. Neste mês, três categorias de uso estão superestocadas, quando comparadas à sua média histórica para este índice: bens intermediários (5,9 pontos); bens de capital (21,7 pontos); e bens de consumo duráveis (29,6 pontos).
Neste último segmento, a situação é mais preocupante na indústria de materiais de transporte, cuja diferença entre a proporção de empresas com estoques excessivos e insuficientes está próxima de patamares observados durante a crise financeira de 2009. Em julho, o indicador de estoques atingiu 29,7 pontos nesta parte da indústria. Os ramos de mecânica, mobiliário e vestuário e calçados continuaram muito estocados naquele mês, e entraram nessa lista outros dois setores: minerais não metálicos e celulose e papel.
A despeito do mau humor em relação à situação atual de seus negócios e da percepção ruim sobre os inventários, os empresários preveem que a produção vai subir nos próximos três meses. O Índice de Produção Prevista, que considera esse horizonte, aumentou 5,8% entre junho e julho, com alta de 23,6% para 27,6% na parcela de indústrias que pretende elevar sua produção no trimestre encerrado em setembro.
Campelo relacionou essa trajetória à perspectiva de que, passada a Copa do Mundo e o consequente aumento de feriados e paralisações, a produção deve retornar a seu ritmo normal, o que pode levar a indústria ao terreno positivo em agosto ou setembro. Porém, como a demanda segue fraca e há uma série de incertezas no radar que podem afetar a atividade industrial no segundo semestre, as expectativas seguiram em tendência de recuo, ainda que em ritmo mais brando.
O Índice de Expectativas que integra o ICI diminuiu de 84,4 pontos na medição passada para 82,9 pontos na atual. Dentro deste indicador, o índice referente à situação futura dos negócios, que leva em conta um horizonte de seis meses, encolheu 7,6%. Já o índice que mede o emprego previsto teve retração de 3,3%. "Além da demanda fraca, outros fatores impedem que as empresas tenham uma visão otimista", afirmou o economista da FGV, como as dúvidas relativas às eleições e aos custos com energia elétrica, além da recente apreciação da taxa de câmbio.

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