Preocupação com atividade põe fim a aperto monetário

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A cada dia, novos indicadores reforçam a avaliação de que a atividade econômica está em franca desaceleração. Ontem, foram os números relativos à produção de automóveis em maio, 18% inferior à do mesmo mês no ano passado. Essa retração já afeta o emprego no setor, e 4,7 mil vagas foram fechadas nas montadores desde janeiro.
Além da menor demanda, o setor industrial enfrenta alta de custos. Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que capital de giro, mão de obra e energia ficaram mais caros no primeiro trimestre. Como cresceram acima dos preços, afetaram a margem de lucro do setor.
No documento divulgado ontem desapareceram duas menções explícitas à alta dos preços. Saíram do texto a qualificação da resistência como "superior à esperada" e o parágrafo em que se discutia a depreciação cambial como fonte de pressão inflacionária. No lugar da inflação, veio a mudança no tom de avaliação do quadro atual e futuro da economia.Esse cenário já havia sido captado pelo Banco Central na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que optou por interromper o ciclo de alta da taxa Selic iniciado em abril de 2013 e manter os juros em 11% ao ano. "O Copom pondera que o ritmo de atividade doméstica tende a ser menos intenso este ano em comparação a 2013". A frase, que abre o parágrafo 22 da ata da reunião, divulgada ontem, resume a mudança de avaliação da diretoria do BC sobre o nível de atividade. Na ata anterior, o BC ainda via uma atividade relativamente estável em relação ao ano passado e dava ênfase às preocupações com a inflação.
O Copom, que se reuniu antes de conhecer o resultado fraco do Produto Interno (PIB) do primeiro trimestre, quando o crescimento foi de apenas 0,2% e o investimento recuou pelo terceiro trimestre consecutivo, incorporou ao seu cenário a possibilidade de uma evolução menos benigna entre oferta e demanda. Essa mudança - que incluía um melhor balanço entre consumo e investimento - foi colocada para o "médio prazo".
Atividade econômica fraca também é a preocupação do Banco Central Europeu (BCE), que anunciou ontem um amplo pacote de medidas para estimular a economia da zona do euro, além de cortar novamente a taxa de juros.

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