Bancos apertam controles para deter inadimplência


Depois de atingir níveis historicamente baixos neste ano, a inadimplência ameaça voltar a subir. Cenários traçados por economistas - e pelas próprias instituições financeiras - para o fim de 2014 contemplam um patamar mais elevado do calote bancário.
Apesar de não se desenhar um cenário catastrófico, um conjunto de fatores sinaliza que os atrasos nos pagamentos vão se intensificar nos próximos meses. Crescimento econômico anêmico, perspectiva de piora do mercado de trabalho, aumento menor da renda, endividamento elevado das famílias e efeitos do recente ciclo de elevação da taxa de juros devem colaborar para a deterioração da qualidade dos ativos dos bancos.

Dados do Banco Central referentes a abril mostraram que, nas operações de pessoas físicas com recursos livres, o atraso entre 15 e 90 dias estava em 6,9%, ante os 6,2% de fevereiro. O indicador também subiu nos empréstimos para empresas, de 2,4% para 2,8%. O percentual de atrasos acima de 90 dias ficou estável nos dois casos, em 6,5% e em 3,3%, respectivamente.
"Já existem sinais tênues de aumento da inadimplência", diz José Faria, economista-chefe do Deutsche Bank. Por isso, espera-se aumento gradual dos atrasos.
Cautelosos, alguns bancos já demoram mais para liberar os empréstimos, exigindo um número maior de documentos e comprovações de capacidade de pagamento, afirmam executivos ouvidos pelo Valor. "Não mudamos nossos modelos estatísticos de aprovação de crédito, mas o fato é que a qualidade das propostas caiu", diz um executivo de um grande banco privado. Para diretores dessas instituições, o maior risco está na inadimplência corporativa, em especial na indústria, dado o fraco desempenho do setor. A consequência é lentidão na análise de algumas operações, à medida que os bancos tentam se cercar de mais evidências da capacidade de pagamento das empresas.

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