Novo mandato de Dilma teria metas mais realistas

Na primeira iniciativa de política econômica como candidata à reeleição, a presidente Dilma Rousseff estabeleceu, ontem, as bases da política fiscal para 2015 caso conquiste o segundo mandato. No projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), encaminhado ao Congresso, propôs uma meta mais realista de superávit do setor público, de 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB), no lugar dos 3,1% que vigoram desde 2010. Resgatou, também, a ideia de um superávit primário mínimo, de 2% do PIB, que será assegurado pelo compromisso do governo federal de compensar eventual frustração nas contas dos Estados e municípios.

Na prática, a meta vai obedecer a uma banda - no máximo de 2,5% do PIB e no mínimo de 2% do PIB -, mas isso não significa que o esforço fiscal do governo central será mais intenso. O que se fez foi aumentar a previsão de superávit de Estados e municípios.
As diretrizes para o programa de governo do PT serão apresentadas no Encontro Nacional do partido, que reunirá Dilma e Lula nos dias 2 e 3 de maio, em São Paulo. Na ocasião, ela poderá enviar mais sinais do que pretende fazer no segundo mandato. Lula vai reiterar seu apoio à reeleição de Dilma. Do programa do PT constarão uma proposta de reforma política com ênfase nas consultas plebiscitárias e a "democratização" da mídia, tema que Dilma sempre recusou.A política de valorização do salário mínimo será mantida, mas a fórmula de reajuste deve ser alterada. Hoje, o aumento tem como base a inflação mais a variação do PIB, que seria substituída pelo PIB per capita a partir de 2016. Está descartado também um tarifaço. A correção dos preços administrados será feita gradualmente.
A presidente não julga necessário, no momento, uma nova "Carta ao Povo Brasileiro" ou adiantar nomes da futura equipe econômica, como tem sido especulado depois que o ex-presidente Lula sugeriu que Dilma desse alguma indicação de como pretende melhorar a economia. Se não diz quem vai entrar, a cúpula da campanha já tem claro quem deve sair: o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin.
A referência para o programa econômico do PT, hoje, é o ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda Nelson Barbosa.

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