Chegada da Forever 21 pode atrapalhar concorrentes no Brasil


Se a marca conseguir manter seu modelo de negócios e os preços baixos, ela pode se tornar o pesadelo de lojas nacionais, dizem especialistas

Julia Carvalho/EXAME.com
Loja da Forever 21 no shopping Morumbi, em São Paulo
Forever 21: marca americana pode complicar a vida das lojas brasileiras
São Paulo – A rede de lojas Forever 21 chegou ao Brasil na semana passada prometendo manter seus baixos preços, semelhantes aos encontrados nas suas unidades no exterior, a todo custo. Se essa promessa for cumprida, a rede pode se transformar no maior pesadelo para as varejistas brasileiras.
Lojas de departamento nacionais como a Renner, aC&A e a Riachuelo já não são mais conhecidas por seus preços baratos. Em vez disso, elas estão apostando em parcerias com grandes marcas para conseguirem cobrar mais caro e atrair um público que normalmente não frequenta suas lojas.
A Forever 21, porém, traz as duas coisas: produtos de uma marca almejada, por ser estrangeira, e preços abaixo de todo o mercado. Ainda por cima, coloca produtos novos todos os dias nas prateleiras e costuma acertar nas tendências da moda.
“O consumidor brasileiro é muito infiel às marcas. Ele quer produtos de qualidade a preços justos, e irá migrar para qualquer loja que ofereça isso”, afirma José Roberto Martins, consultor de varejo da Global Brands.
Além disso, se tiver sucesso em seu modelo de negócio, a marca pode incentivar outras estrangeiras a vir para o Brasil, o que pressionaria ainda mais as brasileiras. A H&M, sua concorrente direta no mercado internacional, já anunciou sua vinda para terras tupiniquins e se juntará a GAP, Topshop e Zara na luta por uma fatia do valioso mercado brasileiro.
Sobe ou não sobe?
A grande dúvida, agora, é se a marca americana conseguirá manter os preços em patamares tão baixos por tempo suficiente para fazer tamanho barulho.
Muitos duvidam que isso realmente ocorra, já que os preços para o varejo no Brasil são mais altos do que em boa parte do mundo. Os varejistas pagam cerca de 8% de impostos sobre produtos nos Estados Unidos, enquanto no Brasil, a taxa chega a 35%.
Para redes que vêm de fora, há também o custo de importação, que chega a elevar em até 35% o preço dos produtos.
Quando chegou ao Brasil, em 1999, a Zara tinha uma faixa de preços semelhante à da Forever 21. Para conseguir sobreviver aqui, porém, ela teve que adaptar toda sua operação de estoques e logística, que funciona no mundo todo, e teve de aumentar seus preços. Hoje, compete mais com lojas de alto padrão do que com as redes fast fashion.
A Forever 21 enfrentará os mesmos desafios, e sabe disso. “Nós colocamos todos os custos e riscos na nossa conta, e prometemos manter nossos preços”, afirmou Kristen Strickler, a porta-voz da marca, em entrevista a EXAME.com na semana passada.
“A Forever 21 está contando esses custos extras do mercado brasileiro como um investimento, que será compensado no volume de vendas”, afirma Martins. Se o volume for insuficiente, a única estratégia possível para manter os preços seria reduzir a margem de lucro, dizem os economistas. Essa opção, porém, é perigosa e não agradaria os analistas de mercado.
Ainda é cedo para saber quais serão os reais efeitos de uma marca como essas para o varejo brasileiro. Por enquanto, há apenas uma loja no país, e o plano é abrir sete até o fim do ano – um número insuficiente para realmente afetar as estatísticas.
Mas se o projeto de expansão da Forever 21 for tão agressivo quanto sua política de preços, as marcas nacionais podem ter de se preocupar.

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