Governo brasileiro busca se recuperar e não resgata Eike


O governo procura proteger os fundos públicos em um momento de dificuldade para a economia do país

Juan Pablo Spinetto e Joshua Goodman, da 
Marcos Issa/Bloomberg
O empresário Eike Batista
O empresário Eike Batista: a presidente Dilma Rousseff evitou utilizar dinheiro dos contribuintes para resgatar aquele que já foi o empreendedor estrela do país
Rio de Janeiro - A venda do império em desintegração de Eike Batista a investidores de Washington a Kuala Lumpur mostra que o Brasil não planeja dar uma segunda chance a quem já foi seu empreendedor estrela.
O BNDES emprestou mais de R$ 10 bilhões (US$ 4,2 bilhões) para ajudar o ex-bilionário a começar seus negócios nas indústrias petrolífera, mineradora e outras.
Até agora, no entanto, a presidente Dilma Rousseff evitou utilizar dinheiro dos contribuintes para resgatá-lo. Dilma está deixando os investidores estrangeiros, como a companhia americana de private equity EIG Global Energy Partners LLC ou a Petroliam Nasional Bhd da Malásia, comprarem os ativos em dificuldades.
A economia do País passa por dificuldades para se recuperar do seu segundo pior desempenho em 13 anos antes das eleições em 2014. Nesse contexto, Dilma está procurando proteger os cada vez mais escassos fundos públicos, disse João Augusto Castro Neves, analista da companhia de risco político Eurasia Group.
O governo do seu predecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, procurou criar campeões empresariais nacionais que gerassem empregos e aumentassem as exportações. Já Dilma agora está priorizando atrair investimentos para licenças de estradas, ferrovias e portos no intuito de revitalizar a economia, disse Castro Neves.
Liquidação
Batista está vendendo partes das suas companhias energéticas, de commodities e logística depois que sua fortuna estimada despencou de US$ 34,5 bilhões em março de 2012 para menos de US$ 1 bilhão porque não cumpriu suas metas de produção e lucros, segundo o Índice de Bilionários da Bloomberg.
A EIG, um fundo de US$ 12,8 bilhões de capital privado com sede em Washington, chegou a um acordo em 14 de agosto para controlar a LLX Logística SA, que está construindo o centro de Açu, no estado do Rio de Janeiro, porto que o magnata afirmou que seria o maior das Américas. A Mubadala Development Co. de Abu Dhabi está negociando a aquisição de alguns dos seus ativos por aproximadamente US$ 1 bilhão, disseram duas fontes com conhecimento direto do assunto neste mês.
A EON SE, a maior empresa de serviços públicos da Alemanha, está mudando o nome da MPX Energia SA depois de assumir o controle da empresa, cujo capital foi aberto por Batista em 2007. A Petronas, petroleira estatal da Malásia, chegou a um acordo em maio para pagar US$ 850 milhões por uma participação num poço de propriedade da OGX Petróleo Gás Participações SA. A Exxon Mobil Corp. se associou à OGX na licitação de dois poços petrolíferos em maio.
Queda das ações
A queda de 89 por cento da OGX em São Paulo nos últimos 12 meses lhe dá o pior desempenho entre 1.500 ações no índice STOXX 1500 de mercados emergentes.

O BNDES não outorgou mais empréstimos a Batista nem o ajudou a manter o controle das suas companhias. Contudo, o banco adiará o vencimento dos empréstimos feitos à LLX e poderia fazer o mesmo com outras unidades do empresário caso os investidores assumam o controle, disse uma fonte com conhecimento direto das negociações, que solicitou anonimato porque as reuniões não são públicas.
Dilma está redobrando esforços para atrair investimentos privados. No mês passado, ela congelou 10 bilhões de reais em gastos com o objetivo de assegurar aos investidores que ela não deixaria o déficit crescer após os maiores protestos populares em duas décadas, que foram desencadeados por aumentos no transporte público.
Tais esforços ainda precisam render frutos. O desemprego está em alta constante desde dezembro, a confiança dos industriais está chegando ao seu menor patamar em quatro anos e a inflação está em torno do limite máximo de 6,5 por cento da meta do governo. Os preços das importações sofrem a pressão de uma desvalorização de 16 por cento do real nos últimos três meses, o maior recuo entre as moedas de mercados emergentes acompanhadas pela Bloomberg.
“Observaram-se alguns progressos na política que aumentam a credibilidade do governo com os investidores, mas os próximos 6 a 12 meses continuarão bem agitados”, disse Castro Neves.

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