Títulos da OGX podem virar pó, diz Barclays


A dívida da companhia com vencimento em 2022, de US$ 1,06 bilhão, despencou US$ 0,105 para preço mais baixo entre mais de 1.900 títulos de empresas de mercados emergentes
Boris Korby e Júlia Leite, da 
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André Valentim/EXAME
Equipe de interpretação exploratória da OGX
Os investidores correm o risco de perder todo o dinheiro, em parte porque as obrigações da OGX podem subir no caso de um default
O colapso da OGX Petróleo Gás Participações SA foi tão severo que os investidores estão oferecendo vender seus papéis da companhia a 19 centavos por dólar. Nem mesmo cotados a US$ 0,19 os títulos atraem compradores. O valor real dos títulos pode até ser nulo, segundo a Barclays Plc.
Nesta semana a dívida da companhia com vencimento em 2022, de US$ 1,06 bilhão, despencou US$ 0,105 para preço mais baixo entre mais de 1.900 títulos de empresas de mercados emergentes denominados em dólar, depois que a companhia do bilionário Eike Batista anunciou em 1 de julho que está analisando deter a produção no seu único poço petrolífero ativo.
Os títulos caíram US$ 0,75 desde máxima registrada em janeiro, enquanto US$ 2,56 bilhões em títulos da OGX com vencimento em 2018 se desvalorizaram US$ 0,77, ficando em US$ 0,209, segundo dados compilados pela Bloomberg.
Os investidores correm o risco de perder todo o dinheiro, em parte porque as obrigações da OGX podem subir no caso de um default, já que ela incorre em passivos da OSX, diz Christopher Buck, analista do Barclays.
A possibilidade de que a OGX pague outros credores primeiro e perspectiva de que reservas de petróleo possam valer menos do que o estimado também podem corroer o pagamento aos detentores de títulos, segundo Stone Harbor Investment Partners e Oppenheimer & Co.
Falta de dinheiro
Em um documento regulatório com data de 1 julho, a OGX disse que poderia deter a produção no seu campo Tubarão Azul em 2014 e que tinha cancelado os pedidos com OSX para novas plataformas petrolíferas e cabeças de poço.
A OGX informou que pagará imediatamente US$ 449 milhões como compensação à OSX – 39 por cento do dinheiro à disposição da companhia no final do primeiro trimestre.


A OGX também está considerando solicitar ao ente regulador petrolífero brasileiro a suspensão da licença para desenvolver os campos offshore Tubarão Tigre, Tubarão Gato e Tubarão Areia, conforme o documento. A companhia tem até setembro para apresentar um plano de desenvolvimento dos campos ou terá que devolvê-los, informou O Estado de São Paulo ontem.
“Se houver um default, eles poderiam perder a licença”, disse Omar Zeolla, analista de crédito corporativo da Oppenheimer, em entrevista por telefone de Nova York. “O governo poderia recuperá-las. É difícil estimar a quantidade de petróleo recuperável a partir dos ativos que eles possuem atualmente após a experiência em Tubarão Azul”.
Batista, cujos recursos e companhias de logística fizeram dele a oitava pessoa mais rica do mundo em março de 2012, está fechando projetos e vendendo ativos depois que a dívida líquida da sua companhia matriz, o EBX Group Co., quase dobrou o valor de mercado combinado de suas unidades.
As ações da OGX despencaram 90 por cento no ano passado porque a empresa não cumpriu as metas e os prazos de produção; a fortuna de Batista já diminuiu aproximadamente US$ 30 bilhões.
“Totalmente clara”
A Standard Poor’s cortou o rating da companhia para CCC – oito níveis abaixo do grau de investimento – ontem, e manteve sua perspectiva negativa.
“É difícil estimar o valor dos ativos, pois a gestão não foi totalmente clara quanto aos problemas, e não sabemos qual é o potencial real das reservas”, disse Cornel Bruhin, gestor de recursos responsável por US$ 4,5 bilhões de dívida de mercados emergentes da Main First Schweiz AG, em entrevista por telefone de Zurique. “Deveria existir uma possibilidade, mas um número crescente de investidores não vê isso – se vissem, não estariam tentando vender tudo”.
A companhia disse que não devem mais ser consideradas válidas as projeções anteriormente divulgadas, inclusive de metas de produção.

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