OGX fracassa na Bacia de Campos e ação cai a R$ 0,56


A OGX como se conhecia na semana passada não existe mais. A empresa de petróleo e gás do grupo Eike Batista admitiu ontem a inviabilidade comercial de quatro campos na Bacia de Campos, incluindo o de Tubarão Azul, seu único produtor de óleo, e que vai parar de produzir em 2014. Essas áreas serão provavelmente devolvidas à ANP. A notícia fulminou as cotações da OGX na bolsa, que caíram quase 30%, e arrastou também outras empresas do grupo.


Com o insucesso na Bacia de Campos, restam ao grupo ativos de gás na Bacia do Parnaíba (onde é sócio da Petra), e ainda 60% do campo Tubarão Martelo, participação que foi dada em garantia à malaia Petronas. A OGX também participa nos campos Atlanta e Oliva, operados pela Queiroz Galvão na Bacia de Santos e que passam a produzir no fim do ano. O problema da OGX terá grande repercussão no estaleiro OSX, fornecedor de plataformas marítimas. O Valor apurou que Eike procurou a gestora de recursos 3G Capital, de Jorge Paulo Lemann, e pediu o resgate de aplicações em alguns fundos. Eike também deverá concluir a negociação com o fundo Mubadala, de Abu Dhabi.

O peso das três empresas no índice se dá porque a metodologia atual do Ibovespa leva em conta basicamente o volume negociado. O economista-chefe da Gradual Corretora, André Perfeito, chamou isso de "situação kafkiana". A Ambev, com valor de mercado de R$ 260 bilhões, só pesa 1,91% na carteira do Ibovespa. A OGX, que vale R$ 2,5 bilhões, tem um peso de 2,55%.A queda das ações da OGX atinge 97,5% desde o pico de 15 de outubro de 2010, quando foi cotada a R$ 23,37 - ontem fechou a R$ 0,56. Esse comportamento da OGX e de outras duas empresas do grupo (MPX e LLX) influiu muito na queda do Índice Bovespa nos últimos anos. Sem as três, o Ibovespa estaria hoje na casa dos 53.900 pontos, 14% acima do nível atual, segundo cálculo do estrategista da Icap Brasil, Gabriel Gersztein.

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