Ajuste de OGX no Ibovespa em setembro vira bomba-relógio


Com a participação da petroleira crescendo, gestores terão de comprar mais papéis para completar o valor necessário para se enquadrar à carteira

Angelo Pavini, da 
Fernando Cavalcanti/EXAME.com
Eike Batista na abertuda de capital da OGX
Eike Batista na abertuda de capital da OGX: participação da petroleira no Ibovespa deve mais que dobrar, passando de 1,86% hoje para 4,82%
São Paulo - O aumento da participação da OGX na carteira do Índice Bovespa que entra em vigor em setembro promete provocar nova correria no mercado nas próximas semanas e pressionar as cotações do papel, como já ocorreu em maio. Com a participação da petroleira de Eike Batista crescendo uma vez e meia sua fatia atual no índice, os gestores de fundos que precisam acompanhar o Ibovespa terão de comprar mais papéis para completar o valor necessário para se enquadrar à carteira que passará a valer a partir de 1° de setembro.

Desta vez, porém, com o preço da ação em baixa, a R$ 0,60, será preciso comprar muito mais ações para atingir o valor necessário e pode faltar papel no mercado. “Esse papel vai para R$ 1,30, R$ 1,40, tem muita gente esperando isso”, diz um investidor que pediu para não ter seu nome revelado. Ele comprou ações da OGX a termo (para liquidação futura) apostando que o papel voltará a esse preço.

Aumento de 156% na participação do índice
A participação da OGX no Ibovespa deve mais que dobrar, passando de 1,86% hoje para 4,82%, um aumento de 2,96 pontos percentuais, o equivalente a 159% de crescimento na fatia do índice, segundo cálculos feitos por uma corretora para o blog Arena. O aumento ocorre apesar da queda do preço, pois o cálculo do Índice Bovespa dá grande destaque para o volume negociado dos papéis, o chamado índice de negociabilidade.
Outros índices levam em conta também o valor de mercado da empresa, para evitar que um papel que caiu demais continue tendo um peso demasiado. O Ibovespa é atualizado a cada quatro meses e a bolsa divulga prévias quando faltam 30, 15 e um dia para entrada em vigor da nova carteira. Assim, nesta semana, sairá a primeira prévia da carteira de setembro.
Demanda extra de quase 1 bilhão de ações
Considerando um total investido em fundos indexados ao Ibovespa em torno de R$ 20 bilhões, o ajuste significaria a compra por essas carteiras de mais R$ 592 milhões em OGX no mercado pelo preço atual, ou mais 988 milhões de ações. Esse número equivale a 68% do total de ações em circulação da companhia no mercado, o chamado “free float”, de 1,447 bilhão de ações, já somados os 70 milhões de ações vendidas por Eike Batista em maio e mais 56 milhões em junho.
Mais que o “free float”
Com os R$ 372 milhões que os fundos passivos já têm hoje em OGX, equivalentes a 1,86% das carteiras e a 620 milhões de ações, o total que as carteiras precisarão ter em setembro em papéis da petroleira atinge R$ 964 milhões, ou 1,606 bilhão de ações, ultrapassando o atual ”free float”. O resultado deverá ser mais pressão sobre o valor das empresas na virada de agosto para setembro.
Sem antecipação
O grande problema é que os fundos passivos não podem antecipar o ajuste de OGX pois, se comprarem o papel agora, seu rendimento poderá se descolar do indexador que precisam seguir. “Se outro papel que o fundo vender para comprar OGX antes disparar, a carteira renderá menos que o referencial e o gestor perde credibilidade dos investidores”, alerta o responsável pela mesa de negócios com ações de uma corretora, que pediu para não ter seu nome citado. Assim, o ajuste se concentrará na última semana do mês.
O mercado já se prepara para a pressão, como mostra a procura de papéis para alugar. O aluguel passou de 60% ao ano para 85% ao ano na semana passada, já indicando a procura por papéis.
Aluguel ainda pressionado
Um certo alívio poderia vir justamente do aluguel de ações, que permitiria aos fundos completar sua carteira tomando o papel emprestado de outro investidor. Na sexta-feira, havia 386 milhões de ações de OGX alugadas, para um total permitido de 651 milhões, equivalentes a 45% do “free float”. Mas, mesmo assim, o aluguel de OGX não anda muito fácil, como mostram as taxas cobradas nos poucos negócios realizados semana passada.

Em maio, a BM&FBovespa elevou o limite do aluguel de 30% para 45% do total de ações em circulação. Com isso, o limite de ações passíveis de serem alugadas passou de 380 milhões para 564 milhões de ações na época, aliviando um pouco a pressão sobre os preços da época. A medida foi duramente criticada pelos investidores que apostavam na alta da ação e contavam com o limite do aluguel para ganhar mais.

OGX cresce e outras diminuem
A alta da participação da OGX tem ainda o efeito de retirar participação de outras empresas do Índice Bovespa. Embraer, Fibria e Suzano perdem, assim como TIM, e empresas do setor financeiro, como Itaú Unibanco, Bradesco e Banco do Brasil, e empresas de consumo não cíclico como Cielo e AmBev.
Empresas de energia elétrica também reduzem sua participação, caso da Cemig e Eletrobras. Já outras empresas polêmicas, como LLX e MMX, ganharão espaço no novo Ibovespa. Entre as vedetes do mercado, Vale perderá espaço enquanto Petrobras aumentará.
O destaque do novo Ibovespa será também a entrada de Anhanguera Educacional no índice, com peso estimado em 0,62%. Nenhum papel deve sair.
Abaixo, a tabela mostra os papéis que terão maior crescimento em pontos percentuais na nova carteira do Índice Bovespa.

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