Três anos de inflação acima da meta



O centro da meta de inflação anual estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) está fixado em 4,5% desde 2005. Para 2012, no entanto, o mais provável é que o Banco Central (BC) comemore se os preços subirem 5,3%. Essa é a previsão para o IPCA divulgada no mais recente relatório Focus, do BC.
O último ano que a inflação ficou abaixo da meta foi 2009, quando cravou 4,31%. Em 2010 os preços aumentaram 5,9% e, em 2011, a alta foi de 6,5%. Todos os índices ficaram dentro da margem de tolerância de dois pontos percentuais, estabelecida para acomodar eventuais choques econômicos.
Apesar de cumprir os objetivos estabelecidos pelo CMN, a inflação mais elevada alterou a percepção dos investidores. A principal consequência do período de índices acima da meta foi a reavaliação das projeções para o comportamento dos preços nos anos seguintes, conforme mostra o gráfico abaixo.
Durante todo o ano de 2009, a expectativa foi a de que o aumento dos preços em 2010 ficaria em torno de 4,5%, o que acabou não se confirmando. O ano de 2010 começou com as projeções para 2011 perto da meta. No entanto, a partir do segundo trimestre, as projeções foram revistas e passaram a crescer ao longo do ano. Mesmo assim, a alta dos preços foi ainda maior do que o previsto.
No início de janeiro de 2011, a expectativa era de que a inflação de 2012 ficasse na meta. A partir do fim do mês as projeções sofreram reajustes sistemáticos, até atingirem o patamar de 5,5%. Em 2012, o patamar mínimo da mediana das projeções para a inflação de 2013 já começou em 5%, meio ponto percentual acima da meta.
O descrédito dos investidores a respeito da capacidade de o BC manter a inflação no centro da meta pode consolidar a perspectiva de que a variação do IPCA continuará no patamar de 5,5% ao ano por um longo período. Quanto mais tempo essa percepção se mantiver, mais difícil será para o BC reduzir a inflação.
Para o investidor, nesse momento, é importante levar em conta que existe a chance de o BC adotar medidas mais agressivas para controlar a inflação. Nesse caso, o eventual aumento da taxa básica de juros pode significar a desvalorização dos títulos de renda fixa de longo prazo, tanto prefixados quanto indexados ao IPCA. É preciso avaliar com cuidado os riscos e as perspectivas de retorno.

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