Crédito como alavanca persiste


O mercado pode duvidar da possibilidade de o crédito contribuir significativamente daqui para frente para a expansão da atividade, mas vê as operações ainda em crescimento neste ano e no próximo. E seguindo o modelo que tem sido apresentado até agora – com os financiamentos feitos com recursos direcionados à frente dos firmados com recursos livres. Outro empurrão a favor do crédito é a visão mais otimista que se começa a ter a respeito da inadimplência. Esse indicador, apontado até recentemente como fator de risco para o crescimento continuado das carteiras dos bancos, já assusta menos. Analistas consideram que, nesse quesito, o pior já passou.

Esse é mais um dado relevante da pesquisa realizada pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) com 28 economistas de instituições financeiras, na semana passada. Para 67% desses analistas, o pior da inadimplência passou e, embora gradualmente, os dados devem melhorar daqui para frente. E as indicações são de que o crédito persiste entre as prioridades do governo.
O detalhamento feito pelo economista-chefe da Febraban, Rubens Sardenberg, da alteração feita pelo Banco Central no recolhimento compulsório dos bancos sobre depósitos à vista e a prazo, anunciada na sexta-feira, é importante. Sugere que a decisão tomada pelo BC teve pouco a ver com a liquidação dos bancos Cruzeiro do Sul e Prosper, como aventaram alguns analistas no início desta semana, e muito a ver com a disposição do BC de promover maior liquidez entre os diversos segmentos bancários e o aumento do crédito pelas instituições de menor porte. E, nesse sentido, o financiamento de veículos continuou sendo incentivado pela autoridade monetária.
A análise de Sardenberg lembra que, entre as alterações feitas pelo BC, ocorreu a elevação de 36% para 50% da parcela recolhida compulsoriamente sobre depósitos a prazo que ficará sem remuneração pela taxa Selic e que pode ser deduzida do recolhimento compulsório, mas sob uma condição – caso os recursos sejam direcionados para aquisição de carteiras e letras financeiras de bancos de menor porte e para o crédito para o setor de veículos. 
Outra mudança importante na sistemática do recolhimento trata da introdução de uma nova condição para a elegibilidade dos bancos de menor porte a receber recursos, que passou a priorizar a liquidez para as instituições com relevância no crédito e importante fonte de financiamento via captação de CDB no mercado doméstico, em detrimento de bancos de montadoras, de cooperativas e financeiras, por exemplo, que possuam diferentes estruturas de funding.

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