Bola cantada?


Do atual cenário, parte é mais do mesmo, como a inflação que segue firme acima de 5% em 12 meses e o mercado de trabalho acenando que não sobra mão de obra. Mas, em parte, o cenário tem novidade e confirma a bola cantada pelo governo, que insistiu (e insiste) na perspectiva de crescimento mais robusto da atividade no último trimestre do ano. As informações apontam um resultado ainda mais promissor – a economia avança a um ritmo anualizado próximo a 4% já no terceiro trimestre.

Os sinais de retomada da economia começam a ser somados. Ao aumento da confiança dos empresários da indústria – explícito em dois indicadores de setembro divulgados nesta semana pela Fundação Getúlio Vargas e Confederação Nacional da Indústria – soma-se a infomação reportada hoje pelo IBGE, que captou queda na taxa de desemprego de julho para agosto, com aumento de 0,7% na população empregada. 
A expansão foi puxada pela indústria, onde o número de empregados cresceu 2,7% entre julho e agosto, ante 0,7% da taxa total, e indica que as medidas lançadas pelo governo minimizaram as demissões e, depois elevaram o nível de emprego no setor.
Ana Conceição, do Valor, relata que a reação da economia, que começou lenta entre junho e julho, teria ganhado força em agosto. Indicadores apontavam que o fluxo de veículos pesados nas estradas, o aumento da expedição de papel ondulado e a elevação da confiança do empresário reforçaram a perspectiva de que a produção industrial, impulsionada por uma conjuntura mais favorável e não mais apenas pelos estímulos fiscais concedidos pelo governo, teve crescimento bem mais forte e disseminado no mês passado.

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