A preferência pela poupança


No primeiro semestre deste ano, o estoque de recursos aplicados em contas de caderneta de poupança com saldo superior a R$ 10 mil aumentou R$ 31 bilhões. A tradicional aplicação atraiu, no período, quase 300 mil novos clientes, chamados genericamente de alta renda pelos bancos.

Em contrapartida, as contas com saldo entre R$ 100 e R$ 10 mil perderam R$ 2,1 bilhões, com a saída de mais de um milhão de clientes. Geralmente, os correntistas com esse perfil são atendidos no segmento de varejo das grandes instituições financeiras. Na faixa de contas com saldo de até R$ 100 foram contabilizados cinco milhões de novos clientes, mas com saldo médio de apenas R$ 15.
Os dados são do censo semestral do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), disponível para consulta no site do Banco Central.
As contas que possuem aplicações na faixa entre R$ 10 mil e R$ 100 mil reúnem o maior volume de recursos. Eram R$ 225 bilhões em junho de 2012 e tiveram aumento de 5,3% sobre o total de R$ 214 bilhões registrado em dezembro de 2011. No período, a rentabilidade da poupança foi de 3,2%.
Em seguida aparecem as contas com saldo entre R$ 100 mil e R$ 500 mil, que totalizavam depósitos de R$ 105 bilhões no fim do 1° semestre de 2012. O crescimento dessa faixa em relação ao saldo de dezembro do ano passado foi de R$ 14 bilhões.
As contas com saldo entre R$ 100 e R$ 10 mil e acima de R$ 500 mil, em junho, somavam depósitos de R$ 74 bilhões e 45 bilhões, respectivamente. O gráfico abaixo ilustra o saldo das contas de poupança por faixas de aplicação.
A atração para a poupança dos investimentos de uma faixa de clientes com maior poder aquisitivo não chega a ser surpreendente. Uma das vantagens da aplicação é não estar sujeita às complexas regras de tributação das aplicações financeiras de renda fixa. Implantadas no período de juros reais elevados e graves desequilíbrios macroeconômicos, as regras do Imposto de Renda (IR) não foram adaptadas à nova realidade brasileira.
A queda dos juros tornou evidente, para os investidores, o custo da tributação. Como as alíquotas do IR variam conforme o prazo da aplicação, o investidor parece começar a dar preferência para as alternativas mais simples, já que os ganhos com o menor imposto não compensam os riscos de alongar as aplicações em instrumentos mais complexos.
Outra forte indicação da busca por aplicações conservadoras e sem o custo do IR é dada pelo crescimento expressivo de 40% de clientes que passaram a investir em Letras de Crédito Imobiliário (LCI). Assim como a poupança, os rendimentos dos títulos são isentos.
Os números do censo do FGC parecem esclarecer um pouco mais os movimentos dos investidores, depois do período que combinou fortes reduções dos juros, ajustes na taxa de câmbio e incertezas a respeito do cenário econômico.

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