Alto retorno depende de sorte ou habilidade?


Valor Economico

Nos últimos 12 meses, o índice IBrX, que mede o retorno de uma carteira de ações negociadas na Bovespa, rendeu 17,16%, praticamente o dobro da rentabilidade das aplicações em fundos DI. Alguns investidores mais agressivos conseguiram ganhos significativamente maiores, acima de 90% em alguns casos. Sorte ou habilidade para escolher os papéis certos?
Nassim N. Taleb, autor dos best sellers “A Lógica do Cisne Negro” e “Iludido pelo Acaso – A Influência Oculta da Sorte”, não tem dúvida. No campo dos gestores de recursos profissionais, a sorte é o fator preponderante.
Em pequeno estudo recentemente publicado, o autor vai direto ao ponto. Para ele, pelo menos nos Estados Unidos, não é mais uma boa ideia tentar a carreira na indústria de administração de investimentos.
A razão é que a chance de um gestor realmente habilidoso ser superado por outro menos capacitado e que contou apenas com a sorte para atingir melhor desempenho é cada vez maior. Considerando a combinação entre o crescimento do número de participantes no mercado com as características estatísticas de distribuição do retorno dos ativos financeiros, é matematicamente comprovado que a sorte é o fator determinante para que um gestor de recursos tenha sucesso.
O argumento de Taleb parte da evidência de que as aplicações financeiras apresentam retornos extremos, tanto positivos quanto negativos, com grande frequência. Essa característica é habitualmente desprezada nas avaliações de risco e retorno.
No caso específico do IBrX, no período de 12 meses encerrado em 16 de agosto de 2012, 26 ações apresentaram rendimento entre 0% e 30%. Na faixa entre 30% e 60% foram 22 papéis, e 16 ativos renderam entre -30% e 0%. Nos extremos, cinco papéis ganharam mais do que 90% e 22 tiveram prejuízo superior a 30% do valor do investimento.
É muito provável que a maioria dos que apostaram somente nos papéis mais rentáveis do IBrX tiveram apenas sorte com a escolha dos investimentos. Os gestores profissionais de fundos agressivos possuem a característica de fazer grandes apostas em determinados movimentos do mercado, embasados por teses de investimento refinadas.
A lição de Taleb para aqueles que buscam selecionar os fundos administrados pelos melhores administradores para investir é evitar levar em conta apenas a rentabilidade. É fundamental perceber se as ideias que embasaram as posições assumidas correspondem aos fatos demonstrados pelo desempenho da carteira.

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