As incertezas derrubam a Bolsa de Valores

Os dados ainda robustos da balança comercial da China em julho mostraram que tanto a demanda doméstica quanto a internacional continuam ignorando a incerteza em torno da guerra comercial com os Estados Unidos. Mas os mercados lá fora já estão preocupados com a sobretaxa de 25% em mais US$ 16 bilhões de produtos chineses daqui a duas semanas.
Essa tensão no cenário externo é apenas um ingrediente a mais de volatilidade ao mercado financeiro doméstico hoje, que já vem sentindo os efeitos da corrida eleitoral apertada e permeada de incertezas. O comportamento dos negócios locais ontem à tarde foi apenas um aperitivo do que as eleições são capazes de provocar até outubro.
Rumores envolvendo o candidato preferido dos investidores, o tucano Geraldo Alckmin, geraram um forte onda vendedora (sell off) dos ativos brasileiros, descolando o ambiente doméstico do exterior. O movimento trouxe de volta a lembrança de quão incerto (e aberto) está o cenário sobre quem será o presidente do Brasil a partir de 2019.
Um dos boatos, de que o candidato do PSDB seria, enfim, envolvido em uma delação no âmbito da Operação Lava Jato não se confirmou. A delação seria de Laurence Casagrande Lourenço, ex-presidente da Dersa e ex-secretário de governo, atingindo diretamente Alckmin.
Mas, ao que tudo indica, a imprensa tradicional não dará espaço para possíveis denúncias - a não ser que elas possam causar embaraço aos atuais líderes nas pesquisas, Jair Bolsonaro e Lula. Aliás, outro boato envolvia os números da pesquisa CNT/MDA, que serão conhecidos às 11h.
O levantamento foi feito apenas em São Paulo com cerca de 2 mil eleitores, entre 28 de julho e 3 de agosto, e o rumor da véspera era de que o ex-governador do Estado não estaria tão bem quanto apontado pelo último Ibope, ficando atrás do ex-prefeito da capital Fernando Haddad.
Outro temor suficiente para assustar o mercado foi o de que o ex-presidente poderia participar do debate na TV entre presidenciáveis, amanhã, ou ao menos ser autorizado para conceder entrevistas pela internet como candidato. Por ora, sabe-se que é Haddad quem deve fazer campanha em nome de Lula, ao lado de Manuela D’Ávila, do PCdoB - a “vice de fato”.
Ou seja, a piora acentuada da Bolsa brasileira, que encerrou a sessão em queda de quase 1% ontem, e a arrancada do dólar, que avançou em relação ao real pelo segundo dia consecutivo, deixa claro que o momento é para os especuladores. Somente a possibilidade de algum desses boatos se transformar em fato provocou uma fuga do risco do mercado local.
Fonte: ADVFN

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