O sósia digital

Perder um funcionário tem um custo, mas a tecnologia que aproveita a vida digital após o desligamento de um funcionário da empresa pode ajudar os empregadores a passar o conhecimento aos novos recrutas. 

De acordo com um relatório publicado pela analista de previsões globais Oxford Economics, a substituição de um funcionário que está se desligando da empresa custa cerca de 30.614 libras esterlinas para o empregador. Há dois fatores importantes aqui: as despesas logísticas com o recrutamento e a integração do profissional que o substituirá, e o custo dos resultados perdidos enquanto o novo funcionário aprende as tarefas do cargo.
O relatório sugere que em grandes organizações com mais de 250 funcionários, leva em média mais de um semestre (28 semanas) para os novos profissionais alcançarem um nível ideal de produtividade. Esse número é um pouco menor para pequenas e médias empresas (24 semanas). E, para microempresas com até nove funcionários, esse nível pode ser alcançando em 12 semanas.
O problema é a transferência inadequada de conhecimento. Embora o conhecimento explícito seja fácil de catalogar (com a entrega de anotações e um processo de integração), é mais complicado quantificar, guardar e compartilhar o conhecimento implícito relacionado à experiência, ao contexto e às relações interpessoais.

O sósia digital

Não é de surpreender que as empresas estejam recorrendo à tecnologia. Não seria ótimo se houvesse uma maneira de criar um sósia digital do funcionário que está saindo da empresa? Alguém que retivesse seu conhecimento e experiência e conseguisse entrar em ação quase que imediatamente?
Na série Black Mirror, que retrata um futuro distópico próximo, o autor Charlie Brooker abordou a ideia de uma vida digital após a morte, na qual a atividade das pessoas nas redes sociais poderia ser transformada em um avatar digital que imita sua personalidade com uma precisão espantosa.
Isso não é apenas ficção. No segundo semestre de 2016, três meses após a morte de seu melhor amigo Luka, a empreendedora Eugenia Kuyda desenvolveu o Replika ("um amigo feito de inteligência artificial que está sempre pronto para ajudar") ao inserir milhares de mensagens de texto em uma rede neural para criar um chatbot com a imagem de Luka. Qualquer pessoa pode usar esse recurso colocando seus próprios dados na forma de antigas mensagens de texto e publicações em redes sociais para criar um sósia digital.
As consequências para o espaço de trabalho são enormes. "As empresas poderiam registrar facilmente as atividades de um funcionário por meio do teclado", diz Marcus John Henry Brown, tecnólogo, palestrante e autor residente em Munique. "O tipo de trabalho que você faz, o que você escreve e os padrões de sua atividade podem ser registrados. Falando de forma prática, é possível incluir esses dados em um algoritmo e, dentro de uma semana, a maneira como você trabalha seria determinada por esse algoritmo."

Habilidades transferíveis

Mesmo que essa tecnologia ainda não esteja em uso (ou as empresas não estejam admitindo abertamente seu uso), as organizações modernas estão procurando outras maneiras de ajudar com a transferência do conhecimento. A TVA, Siemens e Delta Airlines realizam pesquisas rotineiras com seus funcionários com melhor desempenho e mais tempo de casa para descobrir quais habilidades eles precisam preservar. Os laboratórios de propulsão a jato da Nasa gravam seus funcionários veteranos falando sobre como é fazer parte das missões antigas e usam a gravação para ajudar na socialização dos novos funcionários.
Outras empresas estão indo além, desenvolvendo ferramentas para ajudar a coletar, compartilhar e reutilizar o conhecimento. A Intel criou a Intelpedia, uma Wiki interna disponível para consulta para todos os funcionários da empresa, enquanto que a empresa de software Panopto usa um sistema de gerenciamento de conteúdo empresarial (ECM) que armazena todo o conteúdo relacionado aos processos corporativos, desde documentos até conteúdos sociais como blogs, Wikis e feeds de discussão.
Por sua vez, a General Electric está usando uma plataforma em nuvem chamada Predix para registrar e armazenar o fluxo de trabalho e usar esses dados no futuro. Os novos engenheiros têm acesso a dados analíticos em tempo real e às reações das gerações anteriores, que eles podem aplicar a novas situações. Dessa maneira, os futuros engenheiros podem aproveitar as experiências anteriores dos colegas mesmo depois de eles terem se aposentado ou saído da empresa.

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