Dólar: a maior cotação desde 2016

O juro projetado pelo título norte-americano de 10 anos (T-note) bateu, enfim, os 3% ontem, pela primeira vez desde janeiro de 2014, e segue acima dessa marca nesta manhã, ao passo que o dólar foi além da faixa de R$ 3,45 e já ronda a faixa de R$ 3,50. Agora, a pergunta é se esse movimento por aqui vai durar. E considerando-se os riscos políticos à frente, diante do quadro indefinido para as eleições de outubro, as apostas são de que a deterioração do mercado doméstico continue, atingindo mais fortemente as rendas fixa e variável.
Até então, os negócios com ações têm se mostrado imunes ao contágio vindo do câmbio, com o principal índice acionário da Bolsa brasileira sustentando-se acima dos 85 mil pontos, blindando-se na temporada de balanços. Ao mesmo tempo, a recomposição de prêmios na curva local de juros conduz a uma baixa inclinação das taxas, com os contratos futuros mais negociados subindo timidamente e mantendo o modo aplicação a qualquer custo. É perigoso, porém, comprar essa ideia de descolamento.
Ao contrário, o mercado de câmbio costuma ser um importante direcionador de tendência. Desde o início do ano, a moeda norte-americana já subiu mais de 10% e segue cotada no maior valor desde dezembro de 2016. A marca psicológica de R$ 3,50 não é testada há um ano e meio, mas os negócios ainda buscam um ponto de equilíbrio, diante do menor prêmio pago ao investidor que corre o risco de ficar exposto em reais.
Resta, então, monitorar como se dará o fluxo dos investidores e das empresas (exportadoras e importadoras) para saber se a busca por proteção (hedge) no dólar irá levar a uma migração (fuga) de recursos externos alocados em países emergentes para ativos mais seguros, mas com menor rendimento – em um movimento conhecido como “voo para a qualidade”, do inglês flight to quality.

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