A natureza das reuniões de negócios está mudando conforme a tecnologia empodera o resto do mundo.

Reuniões são essenciais, mas apresentam empecilhos. De acordo com o futurista Ben Hammersley, felizmente novos avanços na tecnologia possibilitam maneiras inteligentes de minimizar as inconveniências


Em uma de suas obras, Jean Paul Sartre escreveu que "o inferno são os outros". Felizmente para ele, Sartre trabalhou a maior parte da vida como escritor, portanto não precisava passar muito tempo com outras pessoas, ficava apenas com sua máquina de escrever. Já para a maioria de nós, negócios significam reuniões. Não importa se você está negociando a venda de um produto valioso ou recebendo um novo cliente com um mistério intrigante a ser resolvido: todas essas negociações envolvem pessoas. E elas precisam se reunir.
Às vezes, essas reuniões são estressantes. Estamos aprendendo muito com biomonitores vestíveis. Recentemente, um colega meu estava em uma reunião de uma hora com um cliente, e seus batimentos cardíacos não baixaram de 130 por minuto em momento algum. Isso quer dizer que a reunião foi mais cansativa fisicamente do que uma aula comum de aeróbica.
Quem sabe um dia seja aceitável mencionarmos que uma negociação não está fazendo bem para nosso sistema cardiovascular, mas hoje ainda não é. Simplesmente temos que ir a reuniões e aguentá-las. É uma questão de educação.

A mudança chegou

Felizmente, as reuniões de negócios mudaram radicalmente na última década. Antes exigiam terno e gravata e só aconteciam em salas de reunião, hoje já é comum vestir moletons e se reunir em cafeterias. Antes envolviam muitas pessoas na mesma sala, hoje envolvem diversos dispositivos sobre a mesma mesa. A natureza das reuniões de negócios está mudando conforme a tecnologia empodera o resto do mundo.
Veja o exemplo da inteligência artificial. Faço reuniões com muitas pessoas. Porém, diferentemente de alguém ocupando o mesmo cargo que eu 50 anos atrás, não tenho secretária. Pelo menos não uma secretária humana. Meus compromissos são agendados pela Amy, um recurso de inteligência artificial (IA) em um servidor na nuvem em algum lugar do mundo. Eu me apresento por e-mail, e Amy, que tem acesso ao meu calendário on-line e conhece minhas preferências para reuniões, assume a organização a partir daí, respondendo à pessoa com quem vou me encontrar e combinando a data e o local. X.ai, a empresa que desenvolveu a Amy e seu alter ego masculino Andrew, considera esse tipo de assistente automatizado como o futuro das equipes, desde os CEOs aos vendedores viajantes.
A Amy é ótima, mas ela não pode ir a reuniões comigo, afinal de contas, ela é apenas um endereço de e-mail. No entanto, não é difícil imaginar outras tecnologias que podem surgir para fazer o papel de minha assistente. Eu já tenho alguns dispositivos Echo de reconhecimento de voz da Amazon em casa, e neste ano a empresa lançará a versão corporativa. Com a promessa de se integrar perfeitamente aos sistemas digitais da sua empresa, a Alexa conseguirá fazer consultas aos sistemas durante uma conversa, como se as planilhas fossem pessoas.
A última vez em que vi algo assim foi em Jornada nas Estrelas, em que os capitães falavam diretamente com as naves para saber a situação delas. Afinal, explicar seus produtos e serviços para seu público-alvo não é tão diferente de explicar sua posição no Quadrante Alfa.

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