Investimento-anjo: o céu e o inferno do investidor

Atualmente, encontro-me em um momento de reflexão. Uma amiga, alguém que conheço e dou conselhos sobre negócios há quase dois anos, convidou-me para ser sócio de sua empresa. Recusei a proposta, pois não tenho o tempo necessário para me dedicar do jeito que ela gostaria e precisa. No entanto, há outra forma de participar do empreendimento e ajudar minha amiga: tornar-me um investidor-anjo.
Você já ouviu falar desse tipo de investimento? A ideia é aplicar dinheiro em uma empresa (a preferência é por startups pelo seu grande potencial de crescimento) apostando que ela terá sucesso no futuro, sem realmente se tornar um sócio, ou seja, nada de colocar seu nome no contrato social ou participar da operação no dia a dia.
Pelo investimento, você recebe uma pequena parte da empresa e espera o negócio valorizar-se para vender a sua cota. Você já imaginou se tivesse apostado no aplicativo Uber quando ele ainda estava se iniciando nas operações? Nesse caso, você teria multiplicado em duas mil vezes o investimento inicial, segundo a revistaFortune. O detalhe é que esse lucro havia sido estimado em 2014, quando a empresa era avaliada em "meros" 17 bilhões de dólares. Hoje, o Uber tem valor de mercado de 62,5 bilhões de dólares...
Mas a discussão vai além dos ganhos. Esse tipo de investimento é uma opção muito arriscada e com possibilidade de perda total do investimento. Afinal, as startups são conhecidas pelo seu alto nível de mortalidade. Um estudo da Fundação Dom Cabral realizado em 2014, com 221 empresas, mostrou que 25 por cento delas fechou antes de completar um ano.
Para explicar melhor as vantagens e desvantagens dessa modalidade de investimento, vou abordar as seguintes questões :
  • Como diminuir os riscos ao investir em empresas em estágio inicial?
  • Quanto tempo o dinheiro deve ficar investido?
  • Quanto esperar de retorno?
  • Qual é a fatia do seu portfólio de investimento que deve ser alocada nessa aplicação?
  • Como se proteger juridicamente na hora de investir?
  • Qual é a tributação sobre os ganhos?
  • Como avaliar o potencial de crescimento de uma empresa?



Você ficou sabendo que a Câmara dos Deputados aprovou no dia 4 de outubro a criação formal da figura do investidor-anjo no Brasil? O Projeto de Lei Complementar 25/07 estabelece que pessoas físicas e jurídicas poderão atuar como “anjos” e não serão considerados sócios.
Na prática, essa figura não terá nenhum direito a voto ou gerência, mas também não responderá pelas dívidas da empresa – algo positivo, pois esse era um dos pesadelos dos investidores. Além disso, esse investidor será remunerado por seus aportes, nos termos do contrato, em até cinco anos.
O projeto espera agora a sanção do presidente Michel Temer.
Também neste mês, no dia 13, estreou a versão brasileira do programa de TV Shark Tank – Negociando com tubarões, no canal Sony, em que investidores conhecidos avaliam empresas que estão em busca de capital para decidir se investem nelas ou não.
Participam do programa como investidores Robinson Shiba, dono da rede de franquias China in Box, João Appolinário (Polishop), Sorocaba (da dupla sertaneja Fernando & Sorocaba), Carlos Wizard Martins (Grupo Multi Educação, Mundo Verde e Talco Bell), Cristiana Arcangeli (fundadora da Phytoervas) e Camila Farani, presidente da Gávea Angels.
Com essas novidades, creio que veremos um aumento do interesse pelo investimento-anjo no Brasil. Mas, atenção: esse tipo de aplicação não é para todos!
Em julho, uma pesquisa sobre o perfil do investidor feita pela Anjos do Brasil, a principal entidade do País, mostrou que um anjo é uma pessoa experiente (com média de 47 anos) e com conhecimento no mundo dos negócios – 42 por cento dos 7.620 investidores no Brasil são empresários.
Fica claro, portanto, que estamos falando de um investidor que entende os desafios do empreendedorismo. Eu nunca recomendaria esse investimento para um leigo, a não ser que ele tomasse algumas precauções.
Além do aporte de capital, o investidor-anjo tem o papel de mentor dos empreendedores, oferecendo sua experiência para ajudar a colocar a empresa na direção correta.
São pessoas como João Kepler, com 40 startups em seu portfólio de investimento e eleito como melhor investidor-anjo no ano passado no prêmio Spark Awards, promovido pela Microsoft, que têm sucesso nas aplicações. Especialista em vendas, ele atua como anjo desde 2008 e deixou claro, em nossa conversa, que não existe um perfil ideal, mas que é preciso ter comprometimento com o negócio e vontade de colaborar.
"Os anjos optam por entrar no ecossistema de investimento por dois motivos. Primeiro, pela possibilidade de bons retornos financeiros. Segundo, e talvez mais importante, pela oportunidade de contribuir efetivamente com o crescimento de negócios promissores."
Engrenagens
Na cadeia de investimento em empresas (que você confere na figura abaixo), o anjo se posiciona logo no começo. Quanto mais cedo for realizado o investimento, que costuma ser de até 500 mil reais, maior será o potencial retorno.
Fonte: ADVFN

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