Resumo Semanal

No cenário externo, Theresa May, atual secretária de interior do Reino Unido, será a nova primeira-ministra da Inglaterra. Embora tenha apoiado a permanência do Reino Unido na UE, ela enfatizou que “Brexit significa Brexit”, indicando respeito ao resultado do referendo. De acordo com o Financial Times, ela só deve invocar o Artigo 50 do Tratado de Lisboa ao final do ano. Na quinta-feira, o Banco da Inglaterra manteve os juros em 0,5%. A maior parte dos membros do comitê espera afrouxamento monetário em agosto. Na China, os dados de atividade vieram fortes, quase todos acima do consenso de mercado. A produção industrial veio em 6,2% em base anual, esperado em 5,9%. As vendas de varejo vieram em 6,0% yoy, também esperadas em 5,9%. O PIB do segundo trimestre veio em 6,7% yoy, esperado em 6,6%. Nos EUA, dando prosseguimento aos dados fortes da última semana, as vendas no varejo cresceram 0,6% pelo mercado, bem acima dos 0,1% previstos. A produção industrial para o mesmo mês cresceu 0,6%, ante 0,3% previstos. Já o CPI não foi tão animador, vindo em 1,0% em base anual. No cenário doméstico, o destaque fica na política. O deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) foi eleito presidente da Câmara, com 285 votos, em segundo turno disputado com Rogério Rosso (PSD/DF). Maia teve apoio do PSDB, PPS, DEM, PSB e sua vitória sinaliza força do governo, capaz de reduzir a dispersão de candidatos de modo a gerar um segundo turno com dois nomes favoráveis ao governo. De maneira semelhante, sua presidência deve significar uma agenda político-econômica mais compatível com aquela defendida pelos principais setores do PSDB e do DEM, bem como representa enfraquecimento do “Centrão”, ligado a Rogério Rosso. Ao mesmo tempo, a derrota de Marcelo Castro (PMDB-PI) já em primeiro turno demonstra fraqueza da bancada ligada ao PT. Sem desfrutar da possibilidade de reeleição, Maia permanece no cargo até fevereiro de 2017, para quando estão previstas novas eleições para a presidência da Câmara. Em entrevista ao jornal O Globo, Rodrigo Maia (DEM-RJ), novo presidente da Câmara, disse que dará prioridade às matérias de recuperação da economia, mostrando consonância com a agenda de Michel Temer. Ele citou a PEC do teto de gastos, a renegociação das dívidas dos estados e a reforma da previdência, bem como a reforma política debatida com Aécio Neves, propondo cláusula de barreira e fim de coligações. No âmbito monetário, de acordo com entrevista de Ilan Goldfajn, presidente do BC, ao Financial Times, o governo está preparando uma emenda constitucional que garanta autonomia ao Banco Central, a ser enviada ao Congresso ainda neste ano. A emenda dará ao BC liberdade para usar os instrumentos de política monetária para atingir a meta estabelecida, embora não preveja independência integral – dado que a meta de inflação continuaria a ser estabelecida pela Copom. Goldfajn disse que, assim que alcançar a meta, o BC considerará abaixar a meta, além de pretender reduzir o estoque de swap a zero e contar mais com as reservas internacionais para trazer confiança aos investidores. No fiscal, segundo o Estadão, o Congresso pede R$2,4 bi do governo em troca da aprovação da meta fiscal de 2017. Ao mesmo tempo, segundo o Valor, o governo cogita abrir mais um prazo para entrada de recursos pela lei de repatriação em 2017, dada a previsão de R$8 bi na arrecadação já deste ano. Em relação a um aumento de carga tributária, o governo tem sido evasivo, emitindo comunicação confusa. No lado da atividade, as vendas do varejo no conceito restrito surpreenderam negativamente e caíram 1,0% em maio, bem abaixo do nosso call (+0,6%) e do consenso de mercado (+0,4%). No conceito amplo, que inclui os itens mais voláteis veículo e material de construção, as vendas caíram 0,4%, também bastante abaixo da nossa estimativa (+0,1%) e do consenso de mercado (+1,3%). Em base anual, no conceito restrito, as vendas caíram 9,0%, ante -6,9% no mês anterior, enquanto no conceito ampliado contraíram 10,2%, ante -9,2%.O resultado do volume total de serviços para maio veio em -6,1% em base anual, bem abaixo do consenso de mercado, de -4,0%. Em base mensal, a queda foi de -0,1%. O IBC-Br de maio, proxy do BC para o PIB mensal, ficou em -0,51% mom, ligeiramente abaixo das nossas expectativas (-0,40%) e abaixo do consenso de mercado (-0,20%). Em base anual, o índice caiu 4,92% no mês, abaixo das nossas expectativas (-4,60%) e do consenso de mercado (-4,20%), vindo de -5,00% em abril. Com este resultado, o efeito carrego implica uma contração de 0,7% no índice em base trimestral para o segundo trimestre de 2016, e uma queda de 4,50% para 2016. Nos mercados, a semana foi de valorização da bolsa e de apreciação da moeda brasileira. O Ibovespa subiu 4,6% na semana, atingindo 55.578 pontos, o que trouxe a valorização no ano para 28,2%. O dólar terminou a semana cotado a R$3,28, o que representa uma apreciação do Real de 0,6% frente à moeda americana em relação à semana anterior. No mercado de juros, a curva permaneceu praticamente estável, com o DI 17 caindo 1bp para 13,88% e o DI21 caindo 8bps, para 11,97%
Fonte: GF 

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