A volta dos IPOs

A volta dos IPOs 


Caro leitor,
Quem não se lembra da abertura  forma do IPO(Initial Public Offering) da BM&F, em 2008.

Um ano antes, havia acontecido a oferta pública inicial da Bovespa Holding, e as ações da empresa haviam subido 52% no primeiro dia de negociação na bolsa. Foi um acontecimento que ficou na cabeça de muita gente.

Quem participara do IPO da Bovespa tinha interesse em lucrar novamente no IPOda BM&F, e, quem ficou fora, mais ainda.
Muitos s correram para abrir contas em alguma corretora de valores e realizar seus pedidos de reserva. O IPO acaba sendo uma porta de entrada para vários investidores.

A procura foi tanta que, no processo de bookbuilding (como é chamado o procedimento de precificação ), o preço da ação foi fixado no teto do segundo intervalo estimado pelos coordenadores da oferta. A primeira faixa de preço estimada foi elevada com base no excesso de demanda constatado na oferta.
Como a demanda foi alta, os pedidos feitos na reserva não puderam ser integralmente executados. Então, houve um grande rateio, e os investidores de varejo foram atendidos somente até R$ 1.820,00.

Pessoas vinculadas à oferta foram excluídas. Foi o caso de controladores ou administradores das instituições intermediárias e da emissora, ou outras pessoas vinculadas ao IPO , bem como seus cônjuges ou companheiros, seus ascendentes, descendentes e colaterais até o 2° grau.

Após o leilão de abertura das ações, em seu primeiro dia de negociação, o papel já subia 25%, portanto, para quem entrou no IPO para flipar (vender no primeiro dia), a operação foi um sucesso.

 

 


Mas o que é IPO?

Conhecido no Brasil como oferta pública inicial em mercado primário, é o processo pelo qual uma empresa emite ações para captar recursos para financiar seus investimentos.

Como funciona o bookbuilding?

A empresa emissora, em vez de fixar um preço, estabelece condições básicas de lançamento e os interessados na aquisição enviam suas ofertas, de forma sigilosa, para a corretora.
Há um prazo determinado para a realização dos pedidos de reserva para participar do IPO.
No pedido de reserva, os investidores estabelecem um preço máximo que aceitam pagar pelo ativo. E devem ter uma margem de garantia na corretora, de acordo com o valor solicitado, para esta se assegurar que o investidor possui recursos para a compra, caso seu pedido seja atendido.
O preço definitivo e o rateio são apurados após a análise dessas ofertas, levando-se em conta os preços e respectivas quantidades ofertadas pelos investidores.
Traduzindo-se bookbuilding para o português, seria a construção do livro (de ofertas).
 
 


Normas CVM

Nas ofertas públicas iniciais só é permitida divulgação da oferta por materiais publicitários pré-aprovados pela Comissão de Valores Mobiliários.
E, visando evitar possíveis conflitos de interesse, as corretoras não podem emitir opiniões acerca da oferta, ou seja, não podem recomendar aos seus clientes a participação ou não em um IPO
Para você ter uma ideia como essa regra é levada a sério, no IPO da VisaNet, em 2009, nada menos que 19 corretoras foram excluídas da oferta, por uma suposta veiculação de material publicitário não submetido previamente à aprovação da CVM.
A não participação de uma oferta como essa gera enorme prejuízo para a corretora, pois, além de deixar de ganhar um altíssimo valor em comissões pela distribuição das ações, que tem um volume negociado gigantesco, a instituição acaba “se queimando” com seus clientes que desejariam participar da oferta e acabaram perdendo a reserva ou abrindo conta na concorrente.

Como saber o que fazer?

É extremamente difícil analisar, por conta própria, se um IPO vale a pena. Ou seja, se a faixa de preço estabelecida pelo coordenador da oferta é atrativa para compra.
É necessário realizar uma avaliação completa da empresa para saber se o preço que irá pagar na ação é justo.
Com certeza você já ouviu diversos casos nos quais os papéis subiram muito no primeiro dia, como o da Bovespa e da BM&F, citados no começo do meu texto. Mas há risco de perdas, também; e você deve estar ciente disso.

A volta dos IPOs

Com a crise econômica e política que se instaurou no Brasil, os IPOs andaram meio sumidos ultimamente. Tivemos apenas dois nos últimos dois anos.
As empresas que tinham interesse em abrir capital optaram por adiar o processo, alegando momento ruim do mercado e espera por um cenário melhor.
Mas, então, por que eu trouxe esse assunto hoje?
Pois a expectativa é a de que mais empresas queiram abrir capital no segundo semestre, caso a saída de Dilma seja consumada.
O próprio governo pretende utilizar-se desse meio para aliviar o próprio caixa.
Empresas como a resseguradora IRB, Caixa Seguros, BR Distribuidora, Infraero Aeroportos e Infraero Participações já estão na fila, só aguardando o momento certo.
Outras, como a produtora de celulose Eldorado, do Grupo J&F, e o Programa de Milhas Tudo Azul, da companhia aérea Azul, aguardam o momento oportuno de emitir suas ações. Essas e muitas outras estão à espera de sinais ainda mais evidentes de uma retomada econômica.

Vai a dica este é o momento de investir com responsabilidade e segurança .

.

.