Volatilidade pós China no mercado internacional.

No cenário internacional, a semana foi de grande volatilidade nos ativos, após noticiário de mais fraqueza industrial na China. O país adotou um novo circuit breaker, que foi utilizado duas vezes (segunda e quinta-feira), com queda de 7% no principal índice de ações. Na sexta-feira, a China desativou o circuit breaker, e o mercado aliviou ligeiramente. Nos EUA, a ata da reunião do FOMC de dezembro trouxe poucas notícias, mas foi vista como dovish ao passo que alguns membros viram a decisão da última reunião como difícil, “particularmente dada a incerteza sobre a dinâmica inflacionária”. Na semana, dois membros importantes do comitê sugeriram que o Fed subirá os juros menos de quatro vezes em 2016.

Já no Brasil, a produção industrial caiu 2,4% em novembro, bem abaixo da nossa expectativa e do consenso de mercado, sendo que grande parte da surpresa negativa veio de eventos não-recorrentes, como o desastre em Mariana e a greve na Petrobras. Nosso exercício contrafactual indica que sem o efeito de Mariana, a produção industrial cairia 1,7%. Numa base anual, a produção teve queda de 12,4%, o vigésimo-primeiro resultado negativo consecutivo e o pior desde abril de 2009. O resultado de novembro destaca ainda mais a desaceleração econômica no último trimestre de 2015, refletido na nossa projeção de PIB para o período de -5,6%, o que resulta em uma contração de 3,8% no ano.

O IPCA fechou 2015 em 10,67%, abaixo da nossa expectativa de 10,81%, mas bem acima da meta (4,5%) e até do limite superior (6,5%) da banda de tolerância. A inflação foi impulsionada pelos preços administrados, que avançaram 18,06% no ano e contribuíram para o maior IPCA desde 2002. Olhando para a frente, nosso call preliminar para o IPCA de janeiro é de 1,05% no mês, desacelerando a inflação anual para 10,47%. Acreditamos que o IPCA feche o ano em 7,2%. Neste cenário, o Copom deve iniciar um ciclo de alta de juros na próxima reunião, no próximo dia 20 – no entanto, acreditamos que o ciclo será menor do que os cerca de 200 pontos-base precificado na curva de juros para o ano.

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