Informe Semanal


No cenário internacional, o Banco Central Europeu decepcionou os mercados, com um pacote de estímulo monetário menor do que o esperado. O programa de QE foi estendido até pelo menos março de 2017, mas o mercado queria ver um aumento na rapidez das compras de títulos, que hoje totalizam 60 bilhões de euros por mês. Nos EUA, os dados de emprego vieram fortes no mês de novembro e acima do esperado pelo mercado. O Payroll mostrou criação de 211 mil empregos e a ADP de 217 mil. Além disso, a presidente do Fed Janet Yellen discursou mais uma vez sugerindo uma alta de juros em dezembro. Tanto na quarta quanto na quinta-feira, Yellen alertou para os riscos de postergar demasiadamente o ciclo de aperto.

No Brasil, o destaque ficou para a abertura do processo de impeachment, que foi feito na quarta-feira pelo presidente da Câmara Eduardo Cunha, irritado com o anúncio de que o PT votaria a favor de sua cassação no Conselho de Ética. O pedido é baseado na tese de que Dilma cometeu crime de responsabilidade ao autorizar a liberação de R$ 2,5 bi de créditos suplementares sem autorização do Congresso. O STF recebeu três recursos contra o pedido de impeachment. Após notícia de que Gilmar Mendes seria o relator de um processo, o PT tentou desistir de seu mandato de segurança. No entanto, Mendes rejeitou tanto a desistência da ação quanto o próprio pedido, o que significa que ele será o relator dos futuros processos relacionados ao impeachment no STF.

A ata do Copom apagou qualquer dúvida sobre a atual mentalidade do comitê. O Copom notou que o balanço dos riscos ainda reflete incertezas sobre a política fiscal (o timing e a composição dos resultados futuros), e também o fato de que o “processo de realinhamento de preços relativos mostra-se mais demorado e mais intenso que o previsto”. Dois membros argumentaram que as condições monetárias deveriam ser ajustadas imediatamente para diminuir os riscos de fracasso nos objetivos da política monetária, enquanto a maioria optou por somente monitorar o cenário macroeconômico até a próxima reunião, quando o Copom decidirá os próximos passos de sua estratégia. Esta expressão (próximos passos) é uma fórmula que tem sido usado de tempos em tempos. De fato, nos últimos episódios em que “próximos passos” apareceu na ata (agosto de 2005, março de 2008, março de 2010 e março de 2013), a postura da política mudou na reunião seguinte. É claro, de agora até a reunião de janeiro muita coisa pode acontecer, mas esperamos que o BC suba a Selic em 50 pontos-base para 14,75%, na próxima reunião do Copom.
Fonte: GF

PARCEIROS E COLABORADORES

.